Odes ao domingo

Se pararmos pra pensar, domingo é o único dia em que temos tempo pra fazer exatamente isso: parar pra pensar. Talvez por isso ninguém se sinta completamente bem num domingo. Pra maioria das pessoas, não há trabalho, aulas, obrigações; domingo é só a véspera de tudo isso. As ruas estão vazias e sair de casa é, por si só, um movimento que parece desafiar a Lei da Gravidade.

Domingo é o dia livre por excelência, enfim. E ninguém sabe o que fazer com essa liberdade. Dá remorso simplesmente existir. E esse remorso lembra outros, que enterramos sob os afazeres do dia-a-dia. A vida inteira pode ser revisada numa única tarde de domingo: as oportunidades perdidas, os planos que ninguém sabe se vão dar certo, os afetos, os problemas.

Passei a gostar mais dos domingos quando aceitei seu caráter único. Coincidência ou não, muitas das minhas músicas favoritas falam desse dia, ou melhor, da multiplicidade de dias que podem caber num domingo, dependendo das combinações de sentimentos e circunstâncias.

Sunday Morning Comin’ Down – Johnny Cash

A descrição da vida se desenrolando preguiçosamente na vizinhança – missa, crianças brincando na rua, o cheiro de comida caseira – em contraste com o caos inerente a cada gesto do narrador é a tradução dos domingos mais simples, desesperadores e belos que há, quando a liberdade do dia se manifesta em uma sensibilidade que nos faz perceber o quanto a vida é bonita e irreversível até nas coisas mais bobas. “’Cause there’s something in a Sunday/That makes a body feel alone”

Domingo no Parque – Gilberto Gil e Os Mutantes

Eu adorava ouvir essa música quando era criança. Até hoje tenho um fraco por letras que contam histórias, e as metáforas do Gil nessa canção são lindas, caleidoscópicas. Eu ficava horas imaginando o José, o João e a Juliana... Só muito mais tarde fui perceber que essa música fala de um domingo-catástrofe, de uma tragédia que provavelmente não teria acontecido numa segunda-feira ou num sábado festivo. No redemoinho de sentimentos conflitantes que o domingo traz, o pobre José achou que nunca teria a Juliana, só porque ela resolveu curtir a roda-gigante com o João.

Tell me on a Sunday – Michael Crawford

Uma das músicas mais singelas sobre o fim (anunciado) de um relacionamento. É um pedido final, que transparece o amor que ainda não acabou. Na verdade, Tell me on a Sunday é o nome de um dos musicais menos conhecidos do Andrew Lloyd Webber e trata não de um, mas de vários rompimentos. É a história de uma moça inglesa idealista que chega a Nova York e vive uma série de relacionamentos, que sempre terminam quando ela percebe que está traindo a si mesma e se tornando justamente aquilo que prometera não ser ao ir pros Estados Unidos. Terminar um namoro no domingo, quando revemos o que somos e o que deixamos de ser, faz todo o sentido nesse contexto.  

Domingo – Titãs

Só de falar no Programa Sílvio Santos, os Titãs abrasileiram perfeitamente o marasmo do domingo e despertam memórias em qualquer um que já desbravou a selva televisiva desse dia, seja por falta de assunto com os parentes que vieram pro almoço, por tédio ou – será possível? – gosto. O mal-estar em não saber o que fazer com o dia é tanto, que até a segunda-feira é preferível.

Sunday Bloody Sunday – U2

O clássico do U2 relembra o dia 30 de janeiro de 1972, quando 14 manifestantes foram mortos pelo Exército Britânico em Derry, Irlanda do Norte. O episódio, marcado pela truculência contra uma passeata pacífica, fortaleceu as fileiras do Exército Republicano Irlandês (IRA), desembocando em outras explosões de violência ao longo das décadas seguintes. É um marco que continua dolorosamente atual e ganha força, quando soa em um domingo distante quase quarenta anos daquele dia fatídico. Serve como um lembrete de tudo de importante que está acontecendo, enquanto perdemos tempo agigantando problemas insignificantes.

Wort zum Sonntag – Die Toten Hosen

Batizado com uma alusão a programas religiosos da TV alemã (em tradução livre, Wort zum Sonntag pode ser lido como Palavra Dominical), essa música tem mesmo muito de pregação. Ela virou um hino do punk rock, com uma homenagem ao guitarrista Johnny Thunders, do New York Dolls, e fala de como o passado se faz presente, mesmo com o correr do tempo. Um tapa sempre bem-vindo na cara do saudosismo vazio, especialmente no domingo.

Essas são apenas algumas escolhas bem pessoais, tenho consciência que deixei vários clássicos de fora. O fato é que eu também gostaria de ouvir as músicas que significam domingo pra você que me lê :)

Wort Zum Sonntag by Die Toten Hosen  
Download now or listen on posterous
10-Wort zum Sonntag - hipis@freenet.de.mp3 (6066 KB)

Domingo - Titãs  
Download now or listen on posterous
Domingo - Titãs.mp3 (4064 KB)

Domingo No Parque - Gilberto G  
Download now or listen on posterous
Domingo no Parque - Gilberto Gil.mp3 (3340 KB)

Sunday Morning Coming Down by Johnny Cash  
Download now or listen on posterous
Johnny Cash - Sunday morning coming down.mp3 (5882 KB)

Sunday Bloody Sunday - U2 (Wit  
Download now or listen on posterous
U2 - Sunday Bloody Sunday.mp3 (5242 KB)

Posted via email from Notas partilhadas

Continue lendo...

Balões de Diálogo com a Banda Desenhada

Surgida em 2009, a Banda Desenhada também vem sendo conhecida como “a banda nova da Alinne e do Igor”. Isso porque a carreira musical da jornalista Alinne Rodrigues e do publicitário Igor Miná já vem de bem antes, com a Telerama,  banda fundada em 2005 que se firmou como um nome da cena independente cearense ao longo dos anos.

Enquanto arrumam as malas para tocar pela segunda vez no festival americano South by Southwest (SXSW), o casal, que está noivo desde o ano passado, encontrou um tempinho para fazer a estreia cearense da Banda Desenhada nesta quarta (3), às 20h, no Teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, com entrada gratuita.

Em entrevista por e-mail, Alinne antecipa um pouco do que o público pode esperar do show, além de revisar a trajetória da Telerama e contar os planos para 2010.


“Banda desenhada” é o como os portugueses chamam as histórias em quadrinhos. De que forma elementos da cultura pop/geek, como as HQs, influenciam a banda?
 
Alinne Rodrigues: Na leveza ao tratar de qualquer assunto. A canção pop de três minutos é como uma tirinha diária: ainda que breve e repetitiva, de vez em quando atinge você em cheio (essa é do Igor, redator publicitário que condensa ideias em frases geniais).


Antes de começar a Banda Desenhada, você e o Igor fundaram a Telerama, em 2005. A banda viajou pelo Brasil e pros EUA, lançou EPs, participou de compilações, concorreu a prêmios... Por que não continuar como Telerama, que já tinha toda essa trajetória? 
 
Alinne: Era informação demais, tanto boa como ruim. Telerama foi a primeira banda que a gente teve na vida, então, quando a gente começou, as composições eram mais fraquinhas, e a gente tinha muitas limitações técnicas, muitas mesmo, e isso é natural. Fomos crescendo musicalmente, artisticamente, tecnicamente, pessoalmente, conseguimos definir um som que a gente gostava de fazer, mas a imagem da bandinha iniciante com uma garota desafinada tentando cantar ficou. Quem gostava da banda gostava pelas músicas, pelo que elas queriam dizer, não porque iam ouvir performances perfeitas. Mas ter gente que goste das suas composições não é suficiente para se trilhar um caminho mais profissional no Brasil. Aqui o pessoal aplaude quem executa com perfeição, não quem tem talento. Principalmente em Fortaleza, aplaudem-se os músicos, não os artistas. Os que executam, não os que criam. Daí começar um projeto novo, com a cara que a gente já tinha no final da Telerama, mas com a cabeça que a gente tem hoje aos (quase) 25 e 26 anos. 


De que forma as duas bandas se relacionam? Quais são os pontos em comum e quais as diferenças entre elas?


Alinne: A grande diferença é a formação: somos dois em vez de quatro. As músicas vão no rumo das que lançamos no finalzinho da Telerama, como Sem Ter Amor e Arsenal. Somos a mesma banda, mas diferente. Uma continuação natural do que fizemos da outra vez, mas mais legal ainda (risos)! Ah! Como não temos ainda um repertório imenso de Banda Desenhada, incorporamos umas músicas da Telerama ao show. Vai ser sucesso!


No dia 17 deste mês, vocês tocam pela segunda vez no festival South by Southwest (SXSW), que acontece em Austin, no Texas. Vocês acham que essa experiência pode trazer uma eventual inserção da banda na cena americana?


Alinne: Meio que sem saber, a gente já estava entrando na cena americana como Telerama. Em setembro do ano passado, participamos de uma coletânea nacional em homenagem ao Guided by Voices com uma versão de Game of Pricks. A coletânea pouco repercutiu no Brasil – aliás, onde repercutiu, todo mundo só citava as mesmas músicas, tocadas pelas bandas mais conhecidas do circuito Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes, responsável por festivais como Porão do Rock, Goiânia Noise e Grito Rock) –, mas circulou bem nos Estados Unidos. Não só a coletânea foi comentada em diversos blogs como a nossa versão foi apontada como destaque. O melhor foi a maneira como soubemos disso: um fã de Nova York nos contou. E aí ele já estava ouvindo a Banda Desenhada e perguntando quando a gente iria tocar em Nova York. Quem sabe não rola agora nessa ida?


Quais são os planos pra quando vocês voltarem do festival? Já tem previsão para o lançamento do primeiro EP da Banda Desenhada?
 
Alinne: O primeiro EP sai antes da viagem, até porque a gente quer levar material pra lá. O título é Banda Sonora – Igor, que adora trocadilhos, vai fazer piada com isso até não poder mais (risos) – e deve sair com umas quatro músicas inéditas. Os planos pra depois do festival se resumem a um só: casar!


Você e o Igor são os dois únicos integrantes da Banda Desenhada. Mas e nas apresentações ao vivo, sobe mais gente ao palco junto com vocês, pra dar conta de todos os instrumentos?


Alinne: A gente quer muito sempre ter alguém a mais no palco, mas é só mania de quem já teve banda completa. Vamos tocar só os dois no Dragão e muito provavelmente também no SXSW. Pra isso vamos usar samples de instrumentos. A bateria não é programada, montada em computador. É gravada pelo Igor, e a gente dá o play na hora do show. Assim também rola com algumas guitarras, baixo e sintetizadores. Eu continuo só na pandeirola. =(


Mais canções e informações no MySpace e no perfil da banda na Trama Virtual. No twitter, siga @banda_desenhada.

Ouça o primeiro single da Banda Desenhada, Enquanto o Mundo Sai de Férias:

Enquanto O Mundo Sai De Férias by Banda Desenhada  
Download now or listen on posterous
Banda_Desenhada_-_Enquanto_o_Mundo_Sai_de_Férias.mp3(5133 KB)

Continue lendo...

Diálogo musical marca a edição fortalezense do Grito Rock 2009

Uma das melhores opções para quem percorria as ruas enlameadas (resquícios de algum pré-carnaval?) do entorno do Dragão do Mar na noite do último sábado, 7 de fevereiro, o festival integrado Grito Rock já repercutia no HeyHo Rock Bar desde as 21h. Com a produção do Panela Discos, Fortaleza foi uma das cerca de 47 cidades brasileiras a sediar as apresentações de bandas independentes antes, durante e depois do período carnavalesco.

Resenha postada no site CearáinRock.

A noite começou com o experimentalismo de George Belasco & o Cão Andaluz. Apenas George Belasco, na guitarra, e Lucas Jereissati, no baixo, subiram ao palco, sem o acompanhamento habitual do baterista Leo Mamede. A simplicidade da formação pode ter enganado quem via a banda pela primeira vez e não conhecia os sons intrincados de que ela é capaz, com o auxílio de um notebook, controlado por George, que, além da guitarra, também assume os vocais.

Após um intervalo de quase uma hora, foi a vez do pernambucano Zeca Viana se apresentar, acompanhado do guitarrista Zé Mario. Zeca, baterista da Volver, banda que estourou no cenário indie do Recife, priorizou as experimentações vocais em seu trabalho solo, Zeca Viana & Onomatopéia Bum!, que, na formação original, ainda conta com as vozes de Sofia e Maíra. Talvez a ausência dos vocais femininos na noite de ontem tenha motivado a decisão de Zeca por focar em uma abordagem diferente nas letras, com acompanhamento de uma guitarra e um violão.

Os acordes vibrantes da banda instrumental O Garfo começaram a ressoar às 23h. O trio, composto pelo baixista Felipe Gurgel, pelo guitarrista Vitor Colares e pelo baterista João Victor, fez uma mistura de sonoridades impressionante, preenchendo o ambiente do HeyHo com melodias criativas e declaradamente rock ‘n’ roll – difícil apenas definir a que vertente do rock exatamente elas pertenciam, mas quem se importa, quando a música era tão boa e adaptava-se perfeitamente às várias intenções do público, fossem elas jogar sinuca, assistir à performance da banda, conversar ou simplesmente entornar mais uma cerveja.

O rock “direto ao ponto” da banda Joseph K? veio em seguida, à meia-noite em ponto. Talles Lucena, Rildney Cavalcante e Johnny Wesley sacudiram a audiência, com hits como Calourada e De Cabeça para Baixo, e ainda aproveitaram para mostrar uma nova música, Fuja de Mim, que, além da letra e do som incisivos, ainda traz pitadas de humor. Foi feito um registro em vídeo dessa última música, o que talvez signifique que, em breve, os internautas poderão conferi-la no MySpace da banda.

À medida que a noite avançava, aumentava o peso das bandas que se apresentavam. O death metal da Hostile Inc. atraiu para o interior do HeyHo muitos dos que escutavam o som na calçada, comprovando a força do gênero em Fortaleza, que conta com inúmeros fãs fiéis. Mac Coelho, Yuri Leite, Júnior Maia, Adriano Abreu, Saulo Oliveira e Nathaniel Souza apresentaram uma performance sombria e calcada em melodias trabalhadas no teclado. A importância desse instrumento no som que a banda faz é tal que é até difícil imaginar como eles soavam em 1996, quando surgiram no cenário fortalezense como uma banda de thrash metal.

Por fim, demonstrando toda a experiência adquirida ao longo de 10 anos de carreira, a banda Clamus encerrou esta edição do Grito Rock em Fortaleza. O repertório death metal recebeu um feedback entusiasmado do público. A apresentação contou com várias composições consolidadas na preferência dos que já conheciam a banda de longa data, o que não significa que Joaquim Cardoso, Lucas Gurgel, Felipe Ferreira e Clerton Holanda também não tenham aproveitado para mostrar músicas de seu mais recente trabalho, o álbum La Frontière.

Assim, o Grito Rock passou por Fortaleza, em seu trajeto de intercâmbios musicais e fomento da cena independente, deixando muitos fãs de música satisfeitos com o que viram e ouviram. É esperar que essa multiplicidade de ritmos continue firme e forte na cidade.

Continue lendo...

Blaze Bayley no jornal O POVO

Um dos motivos para a falta de atualizações nos últimos tempos foi o ínicio do meu estágio no jornal O POVO, daqui de Fortaleza. Estou em transição, trabalhando em dois lugares, e chego moída em casa... Mas isso não siginifica que deixei a música de lado. No jornal de ontem, saiu uma reportagem que fiz sobre o projeto Rock.Doc, com uma entrevista com o ex-vocalista do Iron Maiden Blaze Bayley.

Você também pode ler no site do jornal.

Música e imagem
O puro rock britânico

Rock e audiovisual. com o show de Blaze Bayley, a primeira turma do projeto Rock.Doc lança quatro vídeos com os trabalhos do grupo

Débora Medeiros
especial para O POVO
17 Jan 2009 - 01h41min

Cada vez mais presente nos palcos da cidade, o rock fortalezense agora invade as telas, com o projeto Rock.Doc. Guitarras distorcidas, performances marcantes, cenas dos bastidores, relatos de músicos, produtores e especialistas no gênero: está tudo lá, nos quatro vídeos produzidos ao longo de três meses de curso, que serão lançados hoje, às 18 horas, no Clube Recreativo Independência, pouco antes do show do britânico Blaze Bayley. A iniciativa partiu da Associação Cultural Cearense de Rock (ACR), que venceu o edital do programa Pontos de Cultura em 2007.

Conhecido pelo timbre grave, em um gênero dominado por vocalistas capazes de executar as notas mais agudas, o veterano do heavy metal inglês Blaze Bayley gravou seu primeiro álbum em 1989, à frente da banda Wolfsbane, desconhecida para o grande público, até começar a abrir os shows do Iron Maiden, em 1990. Dois anos mais tarde, foi convidado para preencher o posto deixado por Bruce Dickinson em uma das maiores bandas de heavy metal de que se tem notícia.

Foram apenas dois álbuns gravados ao lado do Iron Maiden, mas Blaze Bayley não esconde o orgulho que sente por ter feito parte daquele momento e ser lembrado como ex-integrante do grupo até hoje. Isso não significa, entretanto, que ele viva no passado. Desde que iniciou sua carreira solo, em 2000, o britânico tem criado composições novas que cativam o público.

Sem dar espaço para o saudosismo, mas com o todo o respeito pelo que passou, Blaze chega a Fortaleza neste sábado, com um repertório que mescla clássicos do Iron Maiden e os sucessos de seu mais novo trabalho solo, The Man Who Would Not Die.

Na entrevista exclusiva que concedeu ao O POVO, o músico fala da experiência de tocar com o Iron Maiden, revela os planos para a turnê atual e avalia as mudanças no mercado fonográfico.

O POVO - Faz dez anos que você saiu do Iron Maiden, mas as pessoas ainda lhe apresentam como o ex-vocalista da banda. Isso lhe incomoda?
Blaze Bayley - Ter sido da banda é algo de que me orgulho muito. O Iron Maiden é uma das bandas mais importantes da história do heavy metal e foi ótimo ter sido o vocalista deles por um curto período. Eu me orgulho muito da música que nós fizemos em nossos dois álbuns juntos (The X-Factor e Virtual XI). E, sabe, eu aprendi bastante, e muitos dos fãs do Iron Maiden me seguiram quando montei minha banda.

O POVO - Você tocou mais de uma vez com o Iron Maiden aqui no Brasil. Foi diferente voltar com um trabalho solo?
Blaze - É sempre bom tocar para os fãs brasileiros, seja para um público grande, como no Monsters of Rock (festival do qual o Iron Maiden participou), ou pequenas audiências, como nos shows em locais menores que estamos fazendo agora. Os brasileiros são muito apaixonados e ligados à música, eles sempre te fazem se sentir bem, então é um grande prazer tocar aqui

O POVO – Nos shows que você vem fazendo no Brasil, você apresentou uma lista de músicas bastante eclética, com clássicos da época do Iron Maiden, como The Clansman e Lord of the Flies, e da sua carreira solo, como Kill & Destroy e Samurai. Você planeja seguir essa linha em Fortaleza?
Blaze – Bom, para as nossas apresentações no Brasil, nós estamos trazendo uma lista de canções que não tocamos no restante da turnê, músicas do primeiro álbum (solo), do Virtual XI (do Iron Maiden)... E nós vamos ver como nos sentimos na hora e decidir que caminho seguir, e tocar músicas diferentes. Nós tentamos mudar um pouco a setlist sempre que podemos, testando os fãs.

O POVO – Aqui em Fortaleza, existe um projeto que ensina jovens como produzir vídeos relacionados à cena local. Antes do seu show, quatro desses vídeos serão lançados. Qual a sua opinião sobre essas iniciativas audiovisuais?
Blaze – Bom, nós demoramos um tempo para arrumar tudo, mas agora está tudo indo bem e nós gravamos um DVD, que vai sair este ano, acho que em março. Parece levar um bom tempo para produzir um vídeo e coisas do tipo, mas nós somos uma banda que toca ao vivo e, ao vivo, é preciso tocar com paixão. Isso é algo que tentamos ter em mente.

O POVO – Quando você começou a selecionar os músicos que lhe acompanhariam em sua carreira solo, você declarou que escolheria apenas músicos britânicos, mas, atualmente, está tocando com os colombianos Nico e David Bermudez. O que lhe fez mudar de idéia?
Blaze – Eu decidi que, quando eu voltasse à ativa, eu não iria fazer concessões a músicos, que eu apenas teria os músicos com quem eu quisesse trabalhar, os melhores músicos, não importa de onde viessem.

O POVO – Para encerrar, como alguém que começou no fim dos anos 1980 e tocou com uma das bandas de heavy metal com melhor vendagem de discos nos anos 1990, como você encara as mudanças por que a indústria fonográfica vem passando recentemente?
Blaze – Eu acho que elas são algo bom para muitos artistas, porque nos coloca no controle. Graças à nossa aproximação com os fãs e à popularidade dos computadores, não é muito difícil, para um artista, cuidar de tudo ele mesmo. É bem mais fácil conseguir fazer sua música chegar às pessoas. Concertos ao vivo ainda são populares e as pessoas ainda vêm nos ver. Então, se uma banda é boa ao vivo, ela pode fazer com que as pessoas se interessem pelo seu material e os fãs podem decidir se ela é boa ou não antes que alguém de alguma gravadora o faça. E eu acho que uitos músicos talentosos estão passando despercebidos para as gravadoras.


Rock 'n' roll cinematográfico

Segundo o coordenador pedagógico do projeto Rock.Doc, Marcelo Paes de Carvalho, a idéia era que essas produções servissem como uma “vitrine do que representa a música pesada no Ceará”. Por isso, a cena local teve prioridade no momento da escolha dos temas. Para estrelar os dois clips feitos pela turma, a ACR fez uma seleção entre seus associados, até escolher as bandas A.N.D.E.S. e Facada. Já os dois documentários produzidos tiveram como base a monografia de conclusão de curso do designer gráfico George Frizzo, intitulada A Produção Independente No Rock Cearense: Universo Virtual Como Uma Economia Sustentável, e a dissertação de mestrado da socióloga Abda Medeiros, Cosmologias do Rock em Fortaleza.

Abda, por sinal, se envolveu tanto com o documentário, que entrou para a equipe de produção, acompanhando os alunos na construção do roteiro, nas gravações externas e nas várias entrevistas com figuras importantes do cenário local e nacional, como os membros das bandas cearenses Obskure e Clamus e o jornalista Ricardo Batalha, da publicação especializada em heavy metal e rock clássico Roadie Crew. No total, foram 12 horas de gravações, editadas para caber em cerca de 12 minutos de documentário, mas a socióloga diz que o grupo já está pensando em como utilizará parte do material que ficou de fora: “Esse primeiro documentário é uma amostra do trabalho que a gente pretende fazer, um filme longa-metragem”, antecipa.

Katiushia de Moraes, aluna do projeto, ecoa a empolgação de Abda: “A idéia é que a gente continue acrescentando outras imagens, outras experiências ao documentário”. Ela já freqüentava os shows de rock locais, mas não conhecia muito bem as bandas de heavy metal. Depois de produzir um vídeo sobre a cena, passou a apreciar mais o gênero e acredita que outras pessoas também começarão a compreendê-lo melhor: “O documentário serviu muito pra desfazer um pouco essa questão do preconceito que existe em torno do metal. A gente mostrou as várias fases antes do show, a preparação, a seqüência, os bastidores”, afirma a jovem, que planeja manter o vínculo com a associação e continuar as experimentações no meio audiovisual.

E, segundo Marcelo, espaço para experimentações futuras não vai faltar: “O Rock.Doc deve virar um incubadora de projetos e de idéias”, afirma. Mais dois projetos próprios de alunos da primeira turma já estão engatilhados para este ano: um documentário sobre a Galeria Pedro Jorge, ponto de encontro dos roqueiros da cidade, e outro sobre o heavy metal cearense. Além disso, as inscrições para a segunda turma já começaram e vão até o dia 21 de janeiro.

E-Mais

É possível fazer o download da ficha de inscrição para a segunda turma do Rock.Doc no blog do projeto (http://abcdigitalponto decultura.blogspot.com).

Após preencher a ficha, o candidato deve enviá-la para o e-mail abcdigitalpontodecultura@gmail.com até o dia 21 de janeiro.

As aulas serão ministradas às segundas, quartas e sextas, das 18h30min às 21h30min, e aos sábados, das 14 h às 18horas.

SERVIÇO

Lançamento dos vídeos produzidos pela primeira turma do projeto Rock.Doc, com show de Blaze Bayley e abertura das bandas Facada e A.N.D.E.S. no Clube Recreativo Tiradentes (Rua Tiradentes, 851. Rodolfo Teófilo). Ingressos antecipados: R$ 30, na Planet CDs (Galeria Pedro Jorge, 2º piso) ou na banca Cantinho do Iguatemi (em frente ao Shopping Iguatemi). Outras informações: 3253 3981 e 9402 3362 ou no site www.incartaz.com/rock.doc.

Continue lendo...

Die Toten Hosen: cada vez mais estilosos

Uma das bandas mais tradicionais do punk rock alemão, o Die Toten Hosen sabe bem o que é o diálogo com os mais diversos gêneros musicais, fazendo de sua obra uma bagunça de sonoridades e idiomas, o que nem sempre é bem recebido pelos puristas. In aller Stille é uma síntese equilibrada das experimentações que a banda vem realizando desde seu primeiro álbum, Opel-Gang, de 1983.

Em breve, um pouco da trajetória do Die Toten Hosen em nosso podcast.

Nem o punk rock, com sua rude simplicidade, deixa de interagir com outros gêneros musicais, como mostrou o The Clash e suas experimentações com o reggae, já nos anos 1970. E por que deveria? Coitado do músico que é bitolado a ponto de não ver além dos acordes que toca! A trajetória do Die Toten Hosen é uma prova de que às vezes dá certo, às vezes não, mas é preciso arriscar. O álbum recém-lançado In aller Stille deu muito certo e valeu a aposta: cada uma de suas treze faixas demonstra o amadurecimento de uma banda que flerta sem medo com o novo e o inusitado.

O CD começa com Strom, um punk rock bem produzido e enérgico – talvez, por isso, tenha encabeçado também o primeiro single lan
çado para divulgar esse novo trabalho. A música seguinte é Innen alles neu, outro punk rock básico, que, não fossem os avanços óbvios na qualidade de gravação, se encaixaria com facilidade em algum dos álbuns da banda nos anos 1980. Depois dela, vem Disco, com batidas eletrônicas e samples típicos da disco music, que fazem a gente se sentir em uma festa que promete muitas surpresas.

Coincidência ou não, é a partir daí que o álbum realmente parece que vai engrenar, já que, logo a seguir, vem Teil von mir, uma das músicas que mais trazem o clima sombrio e pesado que o Die Toten Hosen vem incorporando às suas composições nos anos 2000, na linha de Ich bin die Sehnsucht in dir, do álbum anterior, Zurück zum Glück (2004). Porém, tudo volta a ficar mais brando com Auflösen, dueto em que o vocalista Campino e a atriz Birgit Minichmayr cantam quase em clima acústico, acompanhados por instrumentos como um piano, um violão e um violoncelo.

O que se segue é um revezamento entre composições mais ágeis e baladas: Leben ist tödlich é outra música talhada nos moldes do Die Toten Hosen mais punk, com um refrão marcante e desafiador (em tradução livre: Olhe pra si mesmo/Você gostaria de ser imortal?/Graças a Deus/que a vida é mortífera!), enquanto Ertrinken, a balada seguinte, soa um pouco comercial e tem nuances que lembram o U2. Alles was war virou uma das minhas músicas favoritas. É um hard rock genuíno na melodia e até na temática: o reencontro de um amor antigo, tratado aqui com melancolia e bom-humor - quem sabe isso não reconquista a moça? Acelerando novamente, vem o rock Pessimist. E aí, é hora de mais uma balada, Wir bleiben stumm, uma das músicas mais sem graça do álbum, com melodia pouco inovadora.

O tédio é compensado por uma surpresa em Die Letzte Sclacht: quem diria que o Die Toten Hosen sentiria a influência do punk rock dos anos 1990? A música é a cara do Green Day, com uma batida mais frenética e um vocal levemente cínico. Repetindo a seqüência de poucas faixas antes, Tauschen gegen dich, a canção seguinte, é quase outra Wir bleiben stumm, só que com uma letra ainda mais melancólica e uma melodia mais interessante. Encerrando o álbum, Angst vem cheia de suspense, narrando as reações corporais ao medo, com uma batida mais pesada e os vocais de Campino em sua forma mais grave.

Em alemão, “in aller Stille” tanto pode ter o sentido literal de “em todos os estilos” como pode ser usado para dizer que algo foi feito “em grande estilo”. Qualquer um dos dois significados se aplica a esse álbum, que mostra o Die Toten Hosen em muito boa forma, passeando por uma gama de sonoridades. Na minha opinião, é um ótimo CD, com músicas que já têm cara de clássicos à primeira audição. Só poderia ter menos baladas. A banda nunca precisou suavizar suas arestas para conquistar novos fãs. Aliás, pra quem gosta do som dos alemães, as arestas são o que eles têm de melhor.

Continue lendo...

Mais uma casa



Há alguns dias, o Daniel Sonnora me chamou pra colaborar com o blog dele, a Revista Digital Alternativa, que tem um conteúdo bastante diverso e atualizado. Obviamente, fiquei muito feliz com o convite :) Estamos pensando em um esquema de colaboração que fortaleça tanto o Música Expressa quanto o Alternativa, com podcasts, colunas periódicas e muitas outras novidades. Aqui vai o post de apresentação que escrevi pra lá. Achei uma boa idéia colocar aqui também, pra quem ainda não me conhece.

Você também pode ler o texto direto no Alternativa e, se ainda não acompanha o blog, aproveitar pra começar.


"Olá, meu nome é Débora....

...e faz muitos anos que sou viciada em música ;p

Bom, brincadeiras à parte, estou postando só pra dizer que é uma honra ter sido convidada pelo Daniel pra colaborar com o Alternativa, um dos melhores blogs sobre música que encontrei passeando pela web. Espero poder ajudar o site a crescer cada vez mais e tenho certeza de que vou aprender muito aqui :)

Um pouco sobre mim: tenho 20 anos e moro em Fortaleza (CE), onde estudo Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, na Universidade Federal do Ceará (UFC). Estagiei por cerca de um ano e meio na nossa Rádio Universitária, onde descobri minha paixão por essa mídia tão tradicional porém sempre inovadora, além de ter entrado em contato com muitos dos artistas que movimentam a cena local. Depois, passei por uma assessoria de imprensa e trabalhei com educomunicação na ONG Comunicação & Cultura. Atualmente, estagio no núcleo de cultura do jornal O POVO.


De uma forma ou de outra, a música sempre esteve presente na minha vida. Desde pequena, escutava a Rádio Universitária com meus pais e pegava emprestados os discos deles, descobrindo alguns artistas favoritos que tínhamos em comum. Depois, peguei os primeiros tempos dos peer2peers e lotei meu pc de vírus, mas valeu a pena pra conhecer coisas novas, hehe! Foi assim que se formou meu gosto musical: misturando influências familiares e descobertas feitas com um clique. Hoje, posso dizer que sou um pouquinho chata pra gostar logo de cara do que toca nas rádios comerciais, mas, fora isso, curto de (quase) tudo: música erudita, techno, heavy metal, MPB, jazz, blues, música pop e as várias vertentes do rock.


Demorei um pouquinho pra unir essas duas paixões tão presentes na minha vida: o jornalismo e a música. Foi só depois de três anos na graduação que percebi que essa talvez fosse uma boa idéia. Pra ser mais exata, isso aconteceu quando, junto com minha amiga Lucíola Limaverde, entrevistei o tecladista do Nightwish, Tuomas Holopainen. Foi uma aventura e tanto (quem quiser pode ler a entrevista e nossos relatos no blog do jornal do curso, o Jabá) e a felicidade de ter conseguido falar com o cara me fez ver que seria uma boa continuar a fazer isso profissionalmente. Acabei fazendo outras boas entrevistas depois. Algumas delas podem ser encontradas no Whiplash, site especializado em rock e heavy metal. Outras estão esperando pra ser publicadas no meu blog, o Música Expressa.

Enfim, é isso! Hora de começar a postar :)
"

Continue lendo...

Edu Falaschi comenta o peso do Nordeste na cena metal brasileira



por Débora Medeiros e Lucíola Limaverde

foto de Raúl "MisfitKid"

Logo após a apresentação do Almah em Fortaleza (5/12/2008), Edu Falaschi, em entrevista exclusiva, relembra sua trajetória, descreve o processo de composição e ressalta a importância da união para a cena Heavy Metal no Brasil, que, segundo ele, está muito mais forte no Nordeste que em seu pólo habitual, o Sudeste.

Entrevista publicada também no Whiplash.

Você começou a tocar aos 14 anos, era de uma família que tinha músicos, mas não gostava de cantar. Em que momento você descobriu que queria ser vocalista?
Eu tocava numa banda cover e a banda tinha um outro vocalista, eu tocava guitarra e fazia backing vocal. O guitarrista saiu da banda e eles falaram: "Ah, canta nos ensaios, a gente não tem cantor por enquanto". Eu tive que cantar, e eles: "Caramba, você canta legal! Vamos fazer o seguinte, você pára de tocar guitarra, só canta, e a gente chama outro guitarrista". Comecei a cantar, e foi assim que eu me descobri vocalista.

E você não cantava antes por quê? Tinha vergonha, achava que não sabia?
Não, eu ainda não tinha descoberto, sabe? Eu achava legal cantar, mas não era uma coisa que me atraía. Achava legal, mas preferia tocar. Depois comecei a me apaixonar.

Você entrou no Mitrium em 1990, e, em 1994, você deixou a banda para fazer a faculdade de Propaganda. Como foi essa decisão de priorizar os estudos em detrimento da música?
É aquela coisa, você é adolescente, tem a pressão de todo mundo para você estudar. A música é um mercado complicado mesmo, principalmente o Heavy Metal aqui no Brasil, e toda a minha família dizia: "Não, tem que estudar". E aí eu fui estudar, fui fazer Propaganda e Marketing, que era o que eu curtia além da música, achava interessante. Eu terminei a faculdade, mas na verdade nunca trabalhei com isso. Acabei fazendo sempre música, a música está na minha vida desde os meus 12 anos.

Mas você se vê exercendo Propaganda?
Não, não! Foi bom para me ajudar no "marketing" pessoal, mas trabalhar em agência não, não tem nada a ver comigo.

Seu primeiro contato profissional com a banda Symbols foi como produtor, e quem fazia os vocais era o Tito Falaschi, seu irmão. Como foi essa influência familiar na formação musical?
Na verdade, eu que influenciei meu irmão, porque eu sou o mais velho e eu sempre ia ensinando, tendo uma influência mesmo. Ele me chamou para produzir o disco por eu ter uma facilidade de arranjo, por tocar vários instrumentos, por ter uma facilidade de composição. Meu irmão falou: "Ah, vem produzir nossa banda, a gente precisa de uma ajuda". Eu fui produzir, no final das contas ele falou: "Canta uma música", eu cantei, "canta duas músicas", eu cantei... Aí pintou uma idéia: "Por que a gente não faz uma banda juntos, já que você está sem banda? A gente divide os vocais, fica diferente". Falei: "Tá bom". E assim eu entrei na banda.

A saída do Symbols se deu quando você foi chamado para o Angra, e vocês estavam se preparando para gravar o terceiro álbum do Symbols. Como foi essa transição, sair de uma banda que estava gravando um álbum e ter de gravar pelo Angra no mesmo ano?
É, foi um pouco turbulento, porque o pessoal do Symbols ficou meio chateado. Mas na verdade o Symbols já estava bastante dividido, porque meu irmão (Tito) já tinha saído, o (Rodrigo) Arjonas, que era o outro guitarrista também já tinha saído – ele era guitarrista junto com o Demian (Tiguez) –, o tecladista já tinha saído, então ficou eu, o "batera" e o Demian. A gente já estava um pouquinho enfraquecido, quando pintou o convite do Angra foi irrecusável. E eu até eu falei para o pessoal do Symbols: "Vamos continuar, eu vou fazer o Angra primeiro, quando der tempo a gente faz o Symbols de novo". E eles não quiseram: "Não, não quero, a gente vai ficar em segundo plano, a gente não quer..." Eles tiveram a escolha deles, o Demian começou a cantar... E foi uma pena, seria legal se tivéssemos gravado mais um álbum com o Symbols. Mas eu acredito muito que as coisas acontecem quando têm que acontecer.

Você já era compositor nessa época. E quando você entrou no Angra, uma banda de renome, que já tinha uma história, você teve músicas suas gravadas logo no primeiro álbum. Qual a sensação de compor para uma banda que já fazia sucesso, que tinha seu público?
Foi muito legal ver o reconhecimento do Kiko (Loureiro) e do Rafael (Bittencourt) pelo meu trabalho, eles me darem essa oportunidade e essa liberdade: a primeira música do álbum ser uma música minha, já. Foi bom, eu fiquei feliz, fiquei lisonjeado de ouvir deles: "Puxa, suas músicas são muito boas, a gente vai ter que usar, a gente já estava com o disco praticamente pronto", eles me falaram, "mas "Nova Era" não dá para deixar de lado, o "Heroes of Sand" não dá para deixar de lado, a gente vai ter que usar". Eu comecei no Angra com essas duas músicas, a partir daí meu espaço sempre foi aumentando cada vez mais. E, coincidentemente, todas as primeiras músicas de todos os discos do Angra comigo são minhas, minhas com parceria de outros compositores, ou o Kiko ou o Rafael – mais com o Kiko, na verdade. Tem essas músicas, "Nova Era", a primeira do "Rebirth", "Spread of Fire", a primeira do "Temple of Shadows" e "The Course of Nature", que é a primeira do "Aurora Consurgens". Então, engraçado, nos três discos, as primeiras músicas foram minhas, entre outras músicas que eu compus para o Angra também.


E como é esse processo? Vocês vivem nessa correria de shows, você já chegou a fazer com o Angra quase cem shows em um ano... Quando você compõe?
Eu componho geralmente fora da turnê, quando está num período parado. Passo um tempo em casa ou vou para a minha casa de praia, fico lá, só com a família, tranqüilo, e começo a compor mais. Mas às vezes acontece de eu estar aqui, por exemplo, com você falando, aí acaba a entrevista, eu vou lá no camarim, pego um violão e de repente tenho uma idéia, então eu guardo as idéias para depois e desenvolvo.

E como acontecem as parcerias com o Kiko e o Rafael?
É tudo bem natural. Eu mostro as músicas para o Kiko, para o Rafa, eles ouvem a música. Se eles se interessam, falam que a música realmente tem potencial, assim como eles também me mostram as deles e eu também falo, dou minha opinião, se realmente é legal, se de repente ficou bom, "não vamos fazer essa, vamos fazer a outra". Também tem essa liberdade, a gente conversa. E, a partir daí, que foi aceita a música, a gente começa a trabalhar juntos. Então, geralmente eu venho com a música pronta assim: introdução, a parte da voz principal, o verso, a ponte e o refrão. E geralmente eu tenho um pouco mais de dificuldade de compor a parte instrumental, até porque eu não sou o instrumentista da banda. Apesar de tocar vários instrumentos, não tem nem como discutir o Kiko tocando guitarra e eu, né? Então às vezes eu venho com uma idéia inicial: "Pô, Kiko, tem um negócio na guitarra que eu gostaria que fosse assim", aí eu canto para ele. E ele: "Ah, nessa parte eu tenho essa idéia", ele mostra, a gente junta as idéias e vai trabalhando.

Há algum tempo, uma carta cuja autoria foi atribuída a você foi divulgada na Internet, falando das polêmicas que havia no começo da banda, as comparações com o André Matos e de algumas calúnias à sua pessoa. A carta é verdadeira?
Qual carta que é essa?

Foi postada no Orkut, já faz um tempo. Você fala que tinham espalhado um DVD numa fase em que você estava ruim da garganta...
Ah, tá! Essa fui eu mesmo. Se é a que eu estou pensando, sim. (risos)

E como foi esse período?
Foi um período ruim, porque foi um tempo em que eu fiquei bastante doente, e muitas pessoas ruins se aproveitaram disso. Depois, com o tempo, eu fui aprendendo que não adianta: tem pessoas ruins em todos os meios e, com a Internet, elas extravasam a sua ruindade. Eu sou um cara muito sensível, e acabei ficando magoado na época. Mas aí eu falei: "Cara, não adianta. Estou triste e tal, mas só tem uma coisa a fazer, que é melhorar e voltar a cantar bem". Porque eu realmente estava cantando muito mal. E as pessoas achavam que eu estava tranqüilo, feliz? Não, eu estava triste, tava mal pra caralho. Eu falei: "Meu, como é que eu vou cantar assim? Não dá pra continuar cantando assim. Eu não sou isso". Eu comecei a estudar, fui fazer um monte de tratamento e, graças a Deus, deu tudo certo e eu fiquei bom de novo.

Edu, nessa sua trajetória musical, você já dava aulas de canto desde 1999 e, atualmente, você sempre tira um tempo para dar workshops. Como é sua relação de ensinar a música, de passar a música para outras pessoas?
Ah, eu acho importante, até pelo incentivo ao músico novo, mostrar que ele tem que correr atrás dos sonhos dele, mas sempre embasado nas técnicas, numa educação legal, para o cara não se prejudicar no futuro. O que não impede totalmente: mesmo tendo técnica, você pode se prejudicar, como foi o meu caso. E o caso de outros cantores, como Elton John, como o próprio Pavarotti, Freddie Mercury (Queen), entre outros cantores que tiveram problemas nas cordas vocais. Vários, tem uma lista de duzentos, se eu ficar aqui falando... David Coverdale (ex-Deep Purple, Whitesnake)... E todos eles são grandes cantores: Bruce Dickinson (ex-Samson, Iron Maiden), o próprio James LaBrie do Dream Theater, Michael Kiske (ex-Helloween) também teve... Então, a maioria dos cantores já teve algum tipo de problema. Mesmo tendo bastante técnica, isso acontece. Mas você tem que ter paciência, as cordas vocais são bem delicadas.

E sempre acontece que, quando o Angra está parado, você dá esses workshops, faz participações especiais... Nesse contexto, de que modo o Almah nasceu como projeto paralelo? Quando você percebeu que era hora de ter um projeto?
Ah, eu percebi na hora que o Angra resolveu parar, em julho de 2007. Eu falei: "Tá, e aí, o que é que eu vou fazer? Vou ficar em casa?" Eu tinha o Almah já criado, muita gente já sabia do projeto. Então eu decidi transformar numa banda, porque é mais fácil trabalhar. Eu acredito mais nas pessoas trabalhando juntas, todo mundo feliz, todo mundo dando idéias, do que só eu e eu: "Ó, galera, eu vou dominar tudo, eu vou fazer tudo, e é isso". Eu até poderia fazer isso, mas acho que o resultado final é muito melhor em grupo. A prova disso é o "Fragile Equality": na minha opinião, eu acho que é um puta disco, muito legal. E eu tenho certeza que, sem esses caras aí, se dedicando como membros da banda, esse disco não teria saído nem a metade do que saiu.

No primeiro disco, você chamou muitos músicos estrangeiros: o Emppu (Vuorinen, Nightwish), o Lauri (Porra, Stratovarius), toda a equipe. E você disse à Roadie Crew que era uma questão mesmo de testar como era trabalhar com pessoas de outras culturas...
É, eu nunca tinha gravado com estrangeiros, e eu fiquei feliz de ter tido isso, de ter essa oportunidade.

E como essa questão das culturas diferenciadas influenciou na composição?
Primeiro de tudo, eu quis chamar amigos. Não queria chamar músicos conhecidos só porque os caras são conhecidos, pagar e eles não terem nenhum tipo de envolvimento. Então, eu chamei amigos que tocavam comigo já nas turnês que o Angra fez... O Emppu, do Nightwish, é um amigo mesmo, um grande amigo. A gente sai bastante junto, ele já veio ao Brasil sem a galera saber. Agora, com o Nightwish (que veio ao País com a turnê "Brazilian Passion Play"), ele esteve lá em São Paulo eu saí com ele, a gente foi dar um "rolé". É um cara muito querido. Aí (na época em que estava montando a equipe do Almah), ele falou: "Pô, o Lauri mora aqui na Finlândia também", do Stratovarius, "vamos fazer com ele?" E eu falei: "Claro! Conheço o Lauri também". Por último eu chamei o Casey Grillo, um amigo meu também, do Kamelot. E deu tudo certo. Foi perfeito porque eu tive três caras maravilhosos no meu disco, além de outros grandes convidados também.

Durante o show (em Fortaleza), você falou sobre o Nordeste ser um lugar interessante para tocar. Como é sua percepção da cena daqui, do Nordeste em relação ao Brasil?
O Nordeste, hoje em dia, eu acho é o lugar mais forte no Heavy Metal. Está longe, inclusive, de São Paulo, que sempre foi o pólo principal. Eu acho que a cena Heavy Metal caiu bastante nos últimos três anos, mas o Nordeste ainda se mantém firme e forte.

A que você atribui essa queda?
Acho que a parada do Angra foi de grande importância, o Sepultura também teve alguns problemas, o fim do Shaman e o re-recomeço deles – do Confessori, na verdade –, tudo isso. Eu acho que as bandas deviam cada vez existir mais e ficar mais fortes. As pessoas lutam para as bandas ficarem cada vez mais fracas e acabarem, e brigarem, e não sei o quê. Aí não ficou banda nenhuma, pintou o Hangar, o André Matos solo e o Almah, dentre outras que já eram conhecidas: o Dr. Sin, o Korzus. O Torture Squad está aparecendo, mas tudo se segmentou muito – de uma banda apareceram três, quatro, cinco... Do Angra apareceu Shaman e o Angra novo, Shaman novo, André Matos, Hangar, Almah... Ficou muito segmentado, perdeu força. Se as bandas tivessem se unido, talvez não, talvez estivesse bacana, mas as bandas não se unem, né? E aí foi cada um para um lado, cada um falando besteira um do outro nas entrevistas. Eu acho que isso foi um grande motivo para enfraquecer a cena.

Continue lendo...

Wayfarer, heartlander: as andanças de Tuomas Holopainen

O Tuomas Holopainen, tecladista do Nightwish, concedeu esta entrevista a mim e à jornalista Lucíola Limaverde quando a banda esteve em Fortaleza. Sem exageros, foi uma das vivências mais enriquecedoras que tive, tanto pela conexão que toda entrevista com certa profundidade proporciona quanto pelos instantes que a antecederam. Depois dela, decidi que queria me dedicar à cobertura jornalística da música e, principalmente, do heavy metal.

O material saiu no Jornal Jabá, publicação estudantil do curso, e no Whiplash.
Para saber um pouco mais sobre os bastidores da entrevista, recomendo ler o meu relato e o da Lucíola.

Vocês fazem turnês desde o primeiro CD
[Angels Fall First, lançado em 1997]. De que forma as turnês evoluíram, daquela época até agora?
As turnês se tornaram profissionais demais, por assim dizer, porque nosso sucesso cresceu e nós passamos por mais lugares, tocamos em lugares maiores. Então, por exemplo, no começo, nós tocávamos em bares pequenos, lugares desse tipo, havia um sentimento intimista. E sabe, nós mesmos montávamos o nosso equipamento. Agora, durante os últimos anos, nós temos muitos técnicos cuidando de todo mundo, eu não sei mais nem montar o meu teclado. Então, a turnê se tornou bem maior, por assim dizer, e também mais profissional.

Isso é bom, ruim...? Você sente falta dessa época?
Eu sinto, na verdade, porque naquela época tudo era novidade, sabe, vir pela primeira vez para o Brasil... Eu ainda acho que aquela ("Wishmaster World Tour", em 2000) talvez tenha sido a turnê mais memorável que nós tivemos e nós estivemos aqui quatro vezes depois disso, já sabemos meio o que esperar. O choque positivo inicial se foi. Então, eu sinto um pouco de saudades daqueles dias, sim.

Sobre este álbum, você disse que ele contém a música mais pesada da história do Nightwish, Master Passion Greed. E no próximo, haverá outras músicas bem pesadas também?
Eu não tenho idéia, na verdade (risos).

Você tem cerca de quantas músicas prontas? Umas quatro...
Cerca de duas.

As letras e as melodias?
As melodias e as idéias, mas é realmente impossível dizer como o próximo álbum vai soar. Eu tenho muitas idéias, mas ainda resta vê-las.


Você tem idéia de quando o próximo álbum deve sair?
Não antes de 2010, isso é certo.


Em que momento você escreve melhor suas músicas? Como você compõe?
Não preciso de um momento ou lugar específicos, na verdade, pode acontecer em qualquer lugar. Mas, em alguns aspectos, seria pela manhã, esse deve ser o melhor momento para eu compôr: de manhã cedo, quando eu acordo. No inverno é sempre melhor que no verão e em casa é sempre melhor que em qualquer outro lugar, como, por exemplo, nas turnês.

Seu lar, seu país, seria o melhor lugar para compôr?
Sim, eu realmente acho que sim, porque cada uma das músicas do Nightwish que eu escrevi foi composta mais ou menos em casa.


Você se inspira muito na Finlândia?
Sim. Na neve, na natureza, no povo, em tudo. É o meu lar, o lar é muito inspirador para todos nós.


E qual a diferença entre o público finlandês e o do resto do mundo?
Não tem muita diferença, na verdade, porque quando se trata dos fãs desse tipo de música, eles são bem parecidos no mundo todo, de certo modo. Vocês apenas mostram isso melhor. Na Finlândia, não tem gente assim, vindo te ver no hotel
[refere-se aos fãs que aguardavam a banda na calçada do hotel]. Eles ainda gostam de você, só que são mais reservados. E isso tem a ver com a mentalidade do povo: nós somos um pouco mais calmos, introspectivos, sem mostrar nossas emoções.

Quais são seus planos para quando a turnê acabar?

Vamos tirar uns dois meses de férias, quando iremos a algum lugar totalmente afastado. E, depois disso, começar a escrever as músicas e, talvez, por volta do começo de 2010, vamos para os ensaios e depois entramos no estúdio e começamos a trabalhar no próximo álbum. A idéia é essa, mas a vida é muito estranha, você nunca sabe o que vai acontecer, pra onde você vai... O mais seguro é não pensar demais nisso, só fazer alguns planos e ver o que acontece.




ALGUMAS HORAS depois da entrevista, assistimos a uma ótima apresentação
da banda, que resenhei para o Whiplash.

Continue lendo...

Discussões que repercutem

Sabe aquela conversa boa que deixa a gente com uma coceirinha no cérebro, pensando em ramificações pro que foi dito? Pois foi com essa sensação que saí do Centro Cultural Banco do Nordeste nesses dois primeiros dias de Seminário Nacional Experiências Musicais. Em meio a panoramas nos quais se cruzaram o hip hop, o manguebit, Massafeira, MPB cearense e Chico Buarque, dois tópicos, em particular, cutucaram o público e os debatedores: o papel da Internet no cenário musical e a relação entre os rótulos e a indústria fonográfica.

Todo mundo fala que a Internet é o quente da música hoje, com potencial pra inverter a velha relação artistas-correndo-atrás-de-gravadoras, mas o que acontece quando alguém discorda? Enquanto
Jacques Luis Casagrande, Francisco Gerardo Cavalcante do Nascimento e Francisco José Gomes Damasceno, os integrantes daquela primeira mesa, ressaltavam a facilidade de divulgação e contato com o público que a Web proporcionava, algumas objeções eram levantadas. Nem todo mundo tem acesso à Internet, diziam alguns; no meu tempo, as coisas boas estavam na TV, não num endereço específico, lamentavam outros. Por mais que tenham soado bobos na hora, esses contrapontos me fizeram pensar sobre como a Internet ainda é uma ferramenta inexplorada.

Virando dinossauro

Pertenço a uma geração que sedimentou seus gostos musicais na Internet, trocando arquivos em MP3, caçando vídeo-clips antes de o Youtube aparecer, freqüentando sites de fã-clubes em uma era pré-orkut... Engraçado pensar que a realidade na Web mudou tanto em tão poucos anos. Hoje, é difícil imaginar uma banda que não use esses sites como vitrine, não importa o quão pequena ou recente ela seja (por sinal, as grandes e as antigas também aderiram). Além disso, surgiram sites específicos para divulgação musical, como o MySpace e o Trama Virtual.

Até bem pouco tempo atrás, o caminho para o mainstream pressupunha bajular as gravadoras com CDs-demo paridos em estúdios a preços pouco módicos, pagar um bom jabá pras rádios e TVs e mimar a crítica especializada. Tudo isso ainda existe, mas, com a Internet, pipocam bandas que conseguiram chegar ao público de formas bem mais, digamos, baratas. Penso bastante no pessoal do indie, sendo o exemplo mais famoso a Mallu Magalhães, mas, antes dela, já havia o Cansei de Ser Sexy e o Bonde do Rolê pra contar a história.

Foi mais ou menos isso que argumentei na hora, mas depois fiquei matutando: tudo bem que, em suas origens britânicas, ser indie já pressupunha essa jornada alternativa até o sucesso, ditando as regras para as gravadoras (ou dando a impressão de), com o respaldo de um público cativo de antemão. Mas por que não consigo pensar em bons exemplos de uso da Internet em outros gêneros musicais, como a MPB? Parece que o ideal ainda é tocar em trilha de novela, apesar de haver outras vias bem mais dignas rumo ao sucesso... Talvez por isso os artistas da nova MPB que tocam nas rádios soem tão iguais. Ou talvez seja só preconceito da minha parte. Mas, sério, alguém conhece algum artista da MPB que estourou primeiro na Internet?

Rótulos

Um ponto de convergência entre as falas de Wagner Castro, Lia Mirela Moita e Mary Pimentel: o uso de rótulos para vender artistas, quer eles abracem as etiquetas ou não. Enquanto Lia falava de Chico Buarque e a relutância demonstrada por ele em aceitar a bandeira de músico de protesto, Wagner Castro lembrou a onipresença do subtítulo "Pessoal do Ceará", que acompanha toda uma geração de músicos e compositores cearenses e, na avaliação do pesquisador, parece subentender que, depois de Rodger, Fagner, Belchior e companhia, "não apareceu mais ninguém".

Como já contei por aqui, o pessoal do Ceará virou Pessoal graças à Continental, que lançou o LP Meu corpo minha embalagem todo gasto na viagem com ese subtítulo em 1973. Como o disco foi bem recebido e fez história, continuou sendo um bom negócio incluir mais e mais artistas, de gerações e movimentos distintos, na mesma leva.

Com Chico, o mistério persiste: como a censura dificultava a venda de discos do cantor, não dá pra ter certeza que foi a indústria fonográfica que o rotulou como um músico de protesto. Mas quem teria sido o autor da idéia, então? Mergulhando no contexto da época, surgem outras possibilidades: teria sido o público? Alguns setores da esquerda à época? A sociedade, esperando impaciente pela redemocratização? O que se sabe é que Chico se mostrou descontente com o rótulo diversas vezes.

Inventar vertentes musicais e movimentos está na moda até hoje, há bandas que o fazem por conta própria, na tentativa de se sobressair da multidão. Há outras que buscam se destacar justamente repelindo os moldes. Qual dos dois é o caminho mais sensato, se é que ele existe?

Continue lendo...

Uma tessitura de perspectivas musicais

Começa hoje, no Centro Cultural Banco do Nordeste, o Seminário Nacional Experiências Musicais, promovido pela Associação Cultural Cearense de Rock (ACR), a mesma que toca projetos como o ABC Digital e o Forcaos, festival que conta com a presença de bandas locais e nacionais e acontece em Fortaleza e na Região Metropolitana. Como não poderia deixar de ser, estarei lá para cobrir o evento e, em breve, postarei novidades :)

O seminário vai reunir acadêmicos, músicos, jornalistas e críticos especializados para discutir música, através dos diversos vieses que a permeiam: antropológico, social, artístico, mercadológico, contra-cultural. Enfim, é um prato cheio para quem gosta de música e quer se aprofundar no assunto, além de conhecer novas bandas, já que cada dia terminará com a apresentação de um grupo diferente.

Confira a programação:

Dia 09, terça, 15h
Manifestações Estéticas Juvenis I
Francisco Gerardo Cavalcante do Nascimento - A Estética MangueBit: Uma Mutação na Indústria C ultural Brasileira da Década de 1990
Jacques Luis Casagrande - A Arte Como Possibilidade Emancipatória na Sociedade da Indústria Cultural
Francisco José Gomes Damasceno - Memória e Estética Juvenil
Apresentação Musical: Tambor da Terra (18h)

Dia 10, quarta, 15h
Músicas e Tessitura Social da Musicalidade
Mary Pimentel - Quando os "Pessoais" se Encontram: Notas Sobre a Música Popular Cearense
Lia Mirela Moita - "A Gente quer ter Voz Ativa e no Nosso Destino Mandar, mas eis que Chega Roda Viva e Carrega o Destino pra Lá": Chico Buarque, Indústria Cultural e Público Consumidor
Wagner Castro - Massafeira Livre - O Mormaço da "Massa" Agitou a "Feira" e os Artistas
Apresentação Musical: Os Transacionais (18h)

Dia 11, quinta, 15h
Mediações e Musicalidades
Roberto Marques - Espacialidades Descritas Sob os Holofotes do Forró Eletrônico
Monalisa D ias de Siqueira - Os Gato Véi e o Estilo de Vida Forrozeiro em Fortaleza
Márcio Mattos - Os Grupos de Forró: dos Trios às Bandas
Apresentação musical: Fulô de Araçá (18h)

Dia 12, sexta
1ª momento - Manifestações Estéticas Juvenis II (10h)
Abda Medeiros - Dinâmicas de Significados no Underground em Fortaleza
Pedro Alvim (RJ): Hell de Janeiro: Heavy Metal e Choques Culturais na Cidade do Rio
2ª momento - Rock e Mediações Culturais (14h)
Lucas Gurgel - "Nietzsche e o Rock: Por uma Genealogia da Desmesura"
Márcio Benevides - Aspectos Estéticos e Socioculturais do Fazer Rock em Fortaleza-CE: Autoral ou Original?
Apresentação Musical: Obskure (18h)

Dia 13, sábado
Divulgação e Distribuição: Outras Experiências (10h)
Amaudson Ximenes - Um Ensaio Sobre a Influência do Cotidiano na Formação Curricular
Ricardo B atalha (SP) - Divulgação Musical em Revista: Roadie Crew
Música e Ciências: Outras Experiências (14h)
Francisco Damasceno - Experiência Musical: Aproximações Conceituais
José Geraldo Vinci Moraes (SP) - "Samba tem Cadência. Digo a Verdade. E até já Chegou na Universidade".
Apresentação Musical: Clamus e Lançamento de Livro do Seminário (18h)

Serviço:
Seminário Nacional Experiências Musicais
de 9 a 13 de dezembro
Centro Cultural Banco do Nordeste
Rua Floriano Peixoto, 941, Centro
Inscrições gratuitas

Mais informações no blog do evento ou pelo telefone 3464.3108.

Continue lendo...

O que é, o que é?

Música Expressa é uma coleção de divagações sobre um dos meus assuntos favoritos: a música. Aqui, é possível encontrar entrevistas, resenhas, reportagens, crônicas e tudo mais que me der na telha.

Quem sou eu

Minha foto
Fortaleza, Ceará, Brazil
Faço Comunicação Social - Jornalismo na Universidade Federal do Ceará. Pesquiso rádio, gosto de escrever sobre música e ando descobrindo algumas novas paixões latentes: o jornalismo científico e a Teologia. Por enquanto, tento manter ao menos um blog ativo, pra não esquecer o potencial que a Internet tem.

Música Expressa © 2008. Blog design by Randomness

BlogBlogs.Com.Br