Das ist Berlin

ou Da cidade e da rotina

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Um lembrete nos arredores do Checkpoint Charlie. (Débora Medeiros)

Descer as escadas de casa de dois em dois degraus, ver o ônibus partindo do outro lado da rua, perceber que o trem faz mais paradas do que a já recalcitrante pontualidade recomendaria, sair quase correndo pela rua de letreiros: tudo para desaguar num salão onde a London Symphony Orchestra afina os instrumentos, para em seguida tecer, junto ao mais novo prodígio do piano chinês, um véu de notas e sensações.

Às vezes esqueço onde estou e a cidade onde moro se reduz aos textos pra ler, o ônibus pra pegar, a casa pra cuidar. Mas, de repente, um dos compromissos anotados na minha agenda se materializa e me traz de volta à (incrível) realidade: estou em Berlim. 

Há seis anos, quando percorria os corredores da UFC com aquele misto de curiosidade e orgulho sentido por todo recém-aprovado no vestibular, nem passava pela minha cabeça que estaria vivendo do outro lado do Atlântico pouco mais de um ano depois de formada. Quando estive aqui pela primeira vez, caminhei por ruas que pareciam ter visto cada linha dos meus livros de História: placas - como a fotografada por mim acima - demarcando onde o Muro se erguia, museus cheios de relatos de um cotidiano surreal, pessoas que haviam crescido entre as ruínas do Pós-Guerra, prédios residenciais quase em cima do fatídico bunker de Hitler (que hoje não existe mais, foi aniquilado pelos soviéticos pra não virar local de peregrinação pra malucos). Mesmo assim, Berlim não me pareceu uma cidade parada no tempo. O Tachelles fervilhava com doidões do mundo inteiro, a comunistona Alexander Platz tinha virado shopping a céu aberto e as pessoas corriam pra vida, cheias de afazeres espalhados entre as conexões de ônibus/trem de superfície/metrô.

Hoje sou uma dessas pessoas e me pergunto se elas, como eu, esquecem onde estão, habitando as tarefas diárias ao invés da própria cidade. Berlim, nesse ponto, me parece o oposto de Paris, que é um lugar onde, sob a beleza dos pontos turísticos, se escondem milhares de vidas sacrificadas pelo sonho de simplesmente estar lá: pedintes no metrô, imigrantes tiritando de frio ou torrando ao sol, se fazendo de estátua para ganhar alguns trocados de quem se fotografa ao lado deles, transeuntes que parecem carregar uma couraça sob os casacos bem cortados, prontos para dar uma resposta cortante ao menor movimento brusco - algo que conviver com a hostilidade repentina faz com a gente. Paris só deve ser suportável para essas pessoas porque elas estão constantemente se lembrando do nome do chão onde pisam.

Não, Berlim me parece uma cidade mais possível - menos de fachada. Tem desempregados, especulação imobiliária, criminalidade, orçamento estourado, obras faraônicas. Mas também tem um custo de vida baixo, uma contracultura viva e militante, recantos onde estranhos se ajudam das mais diversas formas sem pedir nada em troca. As pessoas dão um jeito de não cair no caos, desde os estudantes que fazem bicos de garçom ou de professor particular aos mendigos que vendem jornais comunitários no metrô. Todos devem se esquecer às vezes que estão em Berlim. 

E, de certa forma, é essa a beleza da cidade: ela vai se infiltrando na vida da gente, de uma maneira própria de cada um, por memórias, lugares e pessoas que não estão nos cartões postais.

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De passagem

O mais difícil é sonhar que a gente está lá. No sonho, ver quem a gente ama ainda é apenas uma questão de sair de casa e circular pelas ruas de sempre, de fazer um telefonema, de enfrentar o engarrafamento. Mas as ruas de sempre aos poucos se tornam outras, os telefonemas viram interurbanos e os engarrafamentos, passagens compradas na promoção. Como nós, outros também estão partindo, seja para outras cidades, outros países ou outras rotinas. E a realidade do sonho, das nossas lembranças, talvez não fique lá por muito tempo. A nossa partida já a modificou, de certa forma. 

Cruzar o Atlântico de avião talvez seja a nossa chance de reverter essas transformações. Quando todos nós convergimos para o mesmo lugar, independente do quão diferente está a vida de cada um, voltamos à realidade do sonho.

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A vida é tão maior que isso

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Foto: 80, de Yuri Leonardo.

Dizem de alguns povos que são como formigas, diligentes e submissos à coletividade. Pensando assim, Fortaleza é como um formigueiro que acabou de ser pisado: cada formiga corre, sozinha e desnorteada, na tentativa de deixar o caos para trás.

Ônibus apinhados de gente, ruas atulhadas de carros. Não existe contra-fluxo: todas as horas são horas do rush.  Nos corpos, sempre em rota de colisão, a sensação renitente de que o inferno são os outros. Na verdade, o inferno está em cada um.

São pobres diabos que, imersos no próprio egoísmo, viram legião, possuindo a cidade que os abriga, em uma confusão de vontades individuais irreconciliáveis. O que importa é prevalecer sobre o outro, mas ninguém de fato prevalece. E todos amaldiçoam a cidade, sonham com o dia em que fugirão dela. É mais cômodo que tentar transformá-la.

Fortaleza é um lugar hostil. O sol é escorchante, onipresente. Cega os olhos, torra a pele. À beira-mar, espigões privatizam o vento que poderia aliviar o dia-a-dia abrasador. E, quando a chuva vem, não lava as ruas nem as almas. Inunda-as.

Mas é só olhar pro céu para esquecer tudo isso. Mesmo com a vista quase sempre posta nas pedras de calçamento – para não tropeçar –, ainda encontro alívio em ver de relance a vastidão azul que paira imperturbável sobre todos nós, como a escancarar a pequenez de nossas aflições. Nos dias cada vez mais próximos do meu futuro, não haverá sempre um céu assim.

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Entrevista: janela da alma

Na época em que fiz o vestibular, eu não sabia que ser jornalista iria me proporcionar a realização de um desejo antigo: conhecer um pouco mais a fundo parte da multitude de vidas que me cerca. Bem mais que a busca pelas aspas ideais para inserir na matéria da vez, toda entrevista tem o potencial de revelar um ser humano, com sonhos, mágoas, histórias e opiniões. Hoje, tenho consciência de que é isso o que mais me atrai no fazer jornalístico.

A sensação de conquistar a confiança de um entrevistado a ponto de ele olhar nos seus olhos e relatar vivências que o marcaram ou confessar sentimentos que normalmente se escondem da superficialidade dos convívios sociais é simplesmente única. Não é só a adrenalina da declaração exclusiva ou a satisfação por estar fazendo um bom trabalho. É também um respeito profundo por aquele interlocutor, que lhe confia tantas coisas espontaneamente.

Nossa rotina é marcada pelos papéis sociais. Muitas vezes, somos reduzidos ao ofício que desempenhamos. É fácil esquecer que há uma vida em cada professor, advogado, catador de lixo, militante, pessoa com deficiência, cantor, milionário, policial, funcionário público, preso, escritor, estudante, trocador de ônibus. Acredito que somos aquilo que vivemos. E é incrível como uma entrevista pode, em meia hora, fazer emergir uma história de vida inteira.

Muitos teóricos já escreveram sobre o caráter dúbio da entrevista: não é um interrogatório, nem uma conversa entre amigos. Pra mim, é um contrato de respeito mútuo. É meu papel perguntar da maneira mais clara e completa possível e é papel do entrevistado buscar responder honestamente, mesmo ao se recusar a responder. 

Seria ingênuo achar que toda entrevista acontece em condições ideais. Seres humanos são imperfeitos e complicados. Existe o medo do repórter de ofender com uma pergunta ou de ferir a própria vaidade ao demonstrar desconhecimento. Existe o medo do entrevistado de trazer à luz certos fatos e experiências. Afinal, falar para outra pessoa sobre as próprias impressões dá a elas maior concretude - além disso, nunca se sabe a repercussão que uma confissão publicada pode ter. 

Por isso, acho que não existe entrevista definitiva, cada encontro desse tipo é como uma reação química muito complexa, envolve inúmeros elementos, sempre em dosagens distintas. Parte do meu fascínio por entrevistas vem daí: compartilhar um momento único na vida de alguém que, de outra forma, não cruzaria o meu caminho. Suas histórias viram parte da minha história. Elas persistem para além de nós, nos olhos de todos os que nos lêem, assistem ou ouvem.

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Odes ao domingo

Se pararmos pra pensar, domingo é o único dia em que temos tempo pra fazer exatamente isso: parar pra pensar. Talvez por isso ninguém se sinta completamente bem num domingo. Pra maioria das pessoas, não há trabalho, aulas, obrigações; domingo é só a véspera de tudo isso. As ruas estão vazias e sair de casa é, por si só, um movimento que parece desafiar a Lei da Gravidade.

Domingo é o dia livre por excelência, enfim. E ninguém sabe o que fazer com essa liberdade. Dá remorso simplesmente existir. E esse remorso lembra outros, que enterramos sob os afazeres do dia-a-dia. A vida inteira pode ser revisada numa única tarde de domingo: as oportunidades perdidas, os planos que ninguém sabe se vão dar certo, os afetos, os problemas.

Passei a gostar mais dos domingos quando aceitei seu caráter único. Coincidência ou não, muitas das minhas músicas favoritas falam desse dia, ou melhor, da multiplicidade de dias que podem caber num domingo, dependendo das combinações de sentimentos e circunstâncias.

Sunday Morning Comin’ Down – Johnny Cash

A descrição da vida se desenrolando preguiçosamente na vizinhança – missa, crianças brincando na rua, o cheiro de comida caseira – em contraste com o caos inerente a cada gesto do narrador é a tradução dos domingos mais simples, desesperadores e belos que há, quando a liberdade do dia se manifesta em uma sensibilidade que nos faz perceber o quanto a vida é bonita e irreversível até nas coisas mais bobas. “’Cause there’s something in a Sunday/That makes a body feel alone”

Domingo no Parque – Gilberto Gil e Os Mutantes

Eu adorava ouvir essa música quando era criança. Até hoje tenho um fraco por letras que contam histórias, e as metáforas do Gil nessa canção são lindas, caleidoscópicas. Eu ficava horas imaginando o José, o João e a Juliana... Só muito mais tarde fui perceber que essa música fala de um domingo-catástrofe, de uma tragédia que provavelmente não teria acontecido numa segunda-feira ou num sábado festivo. No redemoinho de sentimentos conflitantes que o domingo traz, o pobre José achou que nunca teria a Juliana, só porque ela resolveu curtir a roda-gigante com o João.

Tell me on a Sunday – Michael Crawford

Uma das músicas mais singelas sobre o fim (anunciado) de um relacionamento. É um pedido final, que transparece o amor que ainda não acabou. Na verdade, Tell me on a Sunday é o nome de um dos musicais menos conhecidos do Andrew Lloyd Webber e trata não de um, mas de vários rompimentos. É a história de uma moça inglesa idealista que chega a Nova York e vive uma série de relacionamentos, que sempre terminam quando ela percebe que está traindo a si mesma e se tornando justamente aquilo que prometera não ser ao ir pros Estados Unidos. Terminar um namoro no domingo, quando revemos o que somos e o que deixamos de ser, faz todo o sentido nesse contexto.  

Domingo – Titãs

Só de falar no Programa Sílvio Santos, os Titãs abrasileiram perfeitamente o marasmo do domingo e despertam memórias em qualquer um que já desbravou a selva televisiva desse dia, seja por falta de assunto com os parentes que vieram pro almoço, por tédio ou – será possível? – gosto. O mal-estar em não saber o que fazer com o dia é tanto, que até a segunda-feira é preferível.

Sunday Bloody Sunday – U2

O clássico do U2 relembra o dia 30 de janeiro de 1972, quando 14 manifestantes foram mortos pelo Exército Britânico em Derry, Irlanda do Norte. O episódio, marcado pela truculência contra uma passeata pacífica, fortaleceu as fileiras do Exército Republicano Irlandês (IRA), desembocando em outras explosões de violência ao longo das décadas seguintes. É um marco que continua dolorosamente atual e ganha força, quando soa em um domingo distante quase quarenta anos daquele dia fatídico. Serve como um lembrete de tudo de importante que está acontecendo, enquanto perdemos tempo agigantando problemas insignificantes.

Wort zum Sonntag – Die Toten Hosen

Batizado com uma alusão a programas religiosos da TV alemã (em tradução livre, Wort zum Sonntag pode ser lido como Palavra Dominical), essa música tem mesmo muito de pregação. Ela virou um hino do punk rock, com uma homenagem ao guitarrista Johnny Thunders, do New York Dolls, e fala de como o passado se faz presente, mesmo com o correr do tempo. Um tapa sempre bem-vindo na cara do saudosismo vazio, especialmente no domingo.

Essas são apenas algumas escolhas bem pessoais, tenho consciência que deixei vários clássicos de fora. O fato é que eu também gostaria de ouvir as músicas que significam domingo pra você que me lê :)

Wort Zum Sonntag by Die Toten Hosen  
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10-Wort zum Sonntag - hipis@freenet.de.mp3 (6066 KB)

Domingo - Titãs  
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Domingo No Parque - Gilberto G  
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Sunday Morning Coming Down by Johnny Cash  
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Sunday Bloody Sunday - U2 (Wit  
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Balões de Diálogo com a Banda Desenhada

Surgida em 2009, a Banda Desenhada também vem sendo conhecida como “a banda nova da Alinne e do Igor”. Isso porque a carreira musical da jornalista Alinne Rodrigues e do publicitário Igor Miná já vem de bem antes, com a Telerama,  banda fundada em 2005 que se firmou como um nome da cena independente cearense ao longo dos anos.

Enquanto arrumam as malas para tocar pela segunda vez no festival americano South by Southwest (SXSW), o casal, que está noivo desde o ano passado, encontrou um tempinho para fazer a estreia cearense da Banda Desenhada nesta quarta (3), às 20h, no Teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, com entrada gratuita.

Em entrevista por e-mail, Alinne antecipa um pouco do que o público pode esperar do show, além de revisar a trajetória da Telerama e contar os planos para 2010.


“Banda desenhada” é o como os portugueses chamam as histórias em quadrinhos. De que forma elementos da cultura pop/geek, como as HQs, influenciam a banda?
 
Alinne Rodrigues: Na leveza ao tratar de qualquer assunto. A canção pop de três minutos é como uma tirinha diária: ainda que breve e repetitiva, de vez em quando atinge você em cheio (essa é do Igor, redator publicitário que condensa ideias em frases geniais).


Antes de começar a Banda Desenhada, você e o Igor fundaram a Telerama, em 2005. A banda viajou pelo Brasil e pros EUA, lançou EPs, participou de compilações, concorreu a prêmios... Por que não continuar como Telerama, que já tinha toda essa trajetória? 
 
Alinne: Era informação demais, tanto boa como ruim. Telerama foi a primeira banda que a gente teve na vida, então, quando a gente começou, as composições eram mais fraquinhas, e a gente tinha muitas limitações técnicas, muitas mesmo, e isso é natural. Fomos crescendo musicalmente, artisticamente, tecnicamente, pessoalmente, conseguimos definir um som que a gente gostava de fazer, mas a imagem da bandinha iniciante com uma garota desafinada tentando cantar ficou. Quem gostava da banda gostava pelas músicas, pelo que elas queriam dizer, não porque iam ouvir performances perfeitas. Mas ter gente que goste das suas composições não é suficiente para se trilhar um caminho mais profissional no Brasil. Aqui o pessoal aplaude quem executa com perfeição, não quem tem talento. Principalmente em Fortaleza, aplaudem-se os músicos, não os artistas. Os que executam, não os que criam. Daí começar um projeto novo, com a cara que a gente já tinha no final da Telerama, mas com a cabeça que a gente tem hoje aos (quase) 25 e 26 anos. 


De que forma as duas bandas se relacionam? Quais são os pontos em comum e quais as diferenças entre elas?


Alinne: A grande diferença é a formação: somos dois em vez de quatro. As músicas vão no rumo das que lançamos no finalzinho da Telerama, como Sem Ter Amor e Arsenal. Somos a mesma banda, mas diferente. Uma continuação natural do que fizemos da outra vez, mas mais legal ainda (risos)! Ah! Como não temos ainda um repertório imenso de Banda Desenhada, incorporamos umas músicas da Telerama ao show. Vai ser sucesso!


No dia 17 deste mês, vocês tocam pela segunda vez no festival South by Southwest (SXSW), que acontece em Austin, no Texas. Vocês acham que essa experiência pode trazer uma eventual inserção da banda na cena americana?


Alinne: Meio que sem saber, a gente já estava entrando na cena americana como Telerama. Em setembro do ano passado, participamos de uma coletânea nacional em homenagem ao Guided by Voices com uma versão de Game of Pricks. A coletânea pouco repercutiu no Brasil – aliás, onde repercutiu, todo mundo só citava as mesmas músicas, tocadas pelas bandas mais conhecidas do circuito Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes, responsável por festivais como Porão do Rock, Goiânia Noise e Grito Rock) –, mas circulou bem nos Estados Unidos. Não só a coletânea foi comentada em diversos blogs como a nossa versão foi apontada como destaque. O melhor foi a maneira como soubemos disso: um fã de Nova York nos contou. E aí ele já estava ouvindo a Banda Desenhada e perguntando quando a gente iria tocar em Nova York. Quem sabe não rola agora nessa ida?


Quais são os planos pra quando vocês voltarem do festival? Já tem previsão para o lançamento do primeiro EP da Banda Desenhada?
 
Alinne: O primeiro EP sai antes da viagem, até porque a gente quer levar material pra lá. O título é Banda Sonora – Igor, que adora trocadilhos, vai fazer piada com isso até não poder mais (risos) – e deve sair com umas quatro músicas inéditas. Os planos pra depois do festival se resumem a um só: casar!


Você e o Igor são os dois únicos integrantes da Banda Desenhada. Mas e nas apresentações ao vivo, sobe mais gente ao palco junto com vocês, pra dar conta de todos os instrumentos?


Alinne: A gente quer muito sempre ter alguém a mais no palco, mas é só mania de quem já teve banda completa. Vamos tocar só os dois no Dragão e muito provavelmente também no SXSW. Pra isso vamos usar samples de instrumentos. A bateria não é programada, montada em computador. É gravada pelo Igor, e a gente dá o play na hora do show. Assim também rola com algumas guitarras, baixo e sintetizadores. Eu continuo só na pandeirola. =(


Mais canções e informações no MySpace e no perfil da banda na Trama Virtual. No twitter, siga @banda_desenhada.

Ouça o primeiro single da Banda Desenhada, Enquanto o Mundo Sai de Férias:

Enquanto O Mundo Sai De Férias by Banda Desenhada  
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Banda_Desenhada_-_Enquanto_o_Mundo_Sai_de_Férias.mp3(5133 KB)

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Diálogo musical marca a edição fortalezense do Grito Rock 2009

Uma das melhores opções para quem percorria as ruas enlameadas (resquícios de algum pré-carnaval?) do entorno do Dragão do Mar na noite do último sábado, 7 de fevereiro, o festival integrado Grito Rock já repercutia no HeyHo Rock Bar desde as 21h. Com a produção do Panela Discos, Fortaleza foi uma das cerca de 47 cidades brasileiras a sediar as apresentações de bandas independentes antes, durante e depois do período carnavalesco.

Resenha postada no site CearáinRock.

A noite começou com o experimentalismo de George Belasco & o Cão Andaluz. Apenas George Belasco, na guitarra, e Lucas Jereissati, no baixo, subiram ao palco, sem o acompanhamento habitual do baterista Leo Mamede. A simplicidade da formação pode ter enganado quem via a banda pela primeira vez e não conhecia os sons intrincados de que ela é capaz, com o auxílio de um notebook, controlado por George, que, além da guitarra, também assume os vocais.

Após um intervalo de quase uma hora, foi a vez do pernambucano Zeca Viana se apresentar, acompanhado do guitarrista Zé Mario. Zeca, baterista da Volver, banda que estourou no cenário indie do Recife, priorizou as experimentações vocais em seu trabalho solo, Zeca Viana & Onomatopéia Bum!, que, na formação original, ainda conta com as vozes de Sofia e Maíra. Talvez a ausência dos vocais femininos na noite de ontem tenha motivado a decisão de Zeca por focar em uma abordagem diferente nas letras, com acompanhamento de uma guitarra e um violão.

Os acordes vibrantes da banda instrumental O Garfo começaram a ressoar às 23h. O trio, composto pelo baixista Felipe Gurgel, pelo guitarrista Vitor Colares e pelo baterista João Victor, fez uma mistura de sonoridades impressionante, preenchendo o ambiente do HeyHo com melodias criativas e declaradamente rock ‘n’ roll – difícil apenas definir a que vertente do rock exatamente elas pertenciam, mas quem se importa, quando a música era tão boa e adaptava-se perfeitamente às várias intenções do público, fossem elas jogar sinuca, assistir à performance da banda, conversar ou simplesmente entornar mais uma cerveja.

O rock “direto ao ponto” da banda Joseph K? veio em seguida, à meia-noite em ponto. Talles Lucena, Rildney Cavalcante e Johnny Wesley sacudiram a audiência, com hits como Calourada e De Cabeça para Baixo, e ainda aproveitaram para mostrar uma nova música, Fuja de Mim, que, além da letra e do som incisivos, ainda traz pitadas de humor. Foi feito um registro em vídeo dessa última música, o que talvez signifique que, em breve, os internautas poderão conferi-la no MySpace da banda.

À medida que a noite avançava, aumentava o peso das bandas que se apresentavam. O death metal da Hostile Inc. atraiu para o interior do HeyHo muitos dos que escutavam o som na calçada, comprovando a força do gênero em Fortaleza, que conta com inúmeros fãs fiéis. Mac Coelho, Yuri Leite, Júnior Maia, Adriano Abreu, Saulo Oliveira e Nathaniel Souza apresentaram uma performance sombria e calcada em melodias trabalhadas no teclado. A importância desse instrumento no som que a banda faz é tal que é até difícil imaginar como eles soavam em 1996, quando surgiram no cenário fortalezense como uma banda de thrash metal.

Por fim, demonstrando toda a experiência adquirida ao longo de 10 anos de carreira, a banda Clamus encerrou esta edição do Grito Rock em Fortaleza. O repertório death metal recebeu um feedback entusiasmado do público. A apresentação contou com várias composições consolidadas na preferência dos que já conheciam a banda de longa data, o que não significa que Joaquim Cardoso, Lucas Gurgel, Felipe Ferreira e Clerton Holanda também não tenham aproveitado para mostrar músicas de seu mais recente trabalho, o álbum La Frontière.

Assim, o Grito Rock passou por Fortaleza, em seu trajeto de intercâmbios musicais e fomento da cena independente, deixando muitos fãs de música satisfeitos com o que viram e ouviram. É esperar que essa multiplicidade de ritmos continue firme e forte na cidade.

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Blaze Bayley no jornal O POVO

Um dos motivos para a falta de atualizações nos últimos tempos foi o ínicio do meu estágio no jornal O POVO, daqui de Fortaleza. Estou em transição, trabalhando em dois lugares, e chego moída em casa... Mas isso não siginifica que deixei a música de lado. No jornal de ontem, saiu uma reportagem que fiz sobre o projeto Rock.Doc, com uma entrevista com o ex-vocalista do Iron Maiden Blaze Bayley.

Você também pode ler no site do jornal.

Música e imagem
O puro rock britânico

Rock e audiovisual. com o show de Blaze Bayley, a primeira turma do projeto Rock.Doc lança quatro vídeos com os trabalhos do grupo

Débora Medeiros
especial para O POVO
17 Jan 2009 - 01h41min

Cada vez mais presente nos palcos da cidade, o rock fortalezense agora invade as telas, com o projeto Rock.Doc. Guitarras distorcidas, performances marcantes, cenas dos bastidores, relatos de músicos, produtores e especialistas no gênero: está tudo lá, nos quatro vídeos produzidos ao longo de três meses de curso, que serão lançados hoje, às 18 horas, no Clube Recreativo Independência, pouco antes do show do britânico Blaze Bayley. A iniciativa partiu da Associação Cultural Cearense de Rock (ACR), que venceu o edital do programa Pontos de Cultura em 2007.

Conhecido pelo timbre grave, em um gênero dominado por vocalistas capazes de executar as notas mais agudas, o veterano do heavy metal inglês Blaze Bayley gravou seu primeiro álbum em 1989, à frente da banda Wolfsbane, desconhecida para o grande público, até começar a abrir os shows do Iron Maiden, em 1990. Dois anos mais tarde, foi convidado para preencher o posto deixado por Bruce Dickinson em uma das maiores bandas de heavy metal de que se tem notícia.

Foram apenas dois álbuns gravados ao lado do Iron Maiden, mas Blaze Bayley não esconde o orgulho que sente por ter feito parte daquele momento e ser lembrado como ex-integrante do grupo até hoje. Isso não significa, entretanto, que ele viva no passado. Desde que iniciou sua carreira solo, em 2000, o britânico tem criado composições novas que cativam o público.

Sem dar espaço para o saudosismo, mas com o todo o respeito pelo que passou, Blaze chega a Fortaleza neste sábado, com um repertório que mescla clássicos do Iron Maiden e os sucessos de seu mais novo trabalho solo, The Man Who Would Not Die.

Na entrevista exclusiva que concedeu ao O POVO, o músico fala da experiência de tocar com o Iron Maiden, revela os planos para a turnê atual e avalia as mudanças no mercado fonográfico.

O POVO - Faz dez anos que você saiu do Iron Maiden, mas as pessoas ainda lhe apresentam como o ex-vocalista da banda. Isso lhe incomoda?
Blaze Bayley - Ter sido da banda é algo de que me orgulho muito. O Iron Maiden é uma das bandas mais importantes da história do heavy metal e foi ótimo ter sido o vocalista deles por um curto período. Eu me orgulho muito da música que nós fizemos em nossos dois álbuns juntos (The X-Factor e Virtual XI). E, sabe, eu aprendi bastante, e muitos dos fãs do Iron Maiden me seguiram quando montei minha banda.

O POVO - Você tocou mais de uma vez com o Iron Maiden aqui no Brasil. Foi diferente voltar com um trabalho solo?
Blaze - É sempre bom tocar para os fãs brasileiros, seja para um público grande, como no Monsters of Rock (festival do qual o Iron Maiden participou), ou pequenas audiências, como nos shows em locais menores que estamos fazendo agora. Os brasileiros são muito apaixonados e ligados à música, eles sempre te fazem se sentir bem, então é um grande prazer tocar aqui

O POVO – Nos shows que você vem fazendo no Brasil, você apresentou uma lista de músicas bastante eclética, com clássicos da época do Iron Maiden, como The Clansman e Lord of the Flies, e da sua carreira solo, como Kill & Destroy e Samurai. Você planeja seguir essa linha em Fortaleza?
Blaze – Bom, para as nossas apresentações no Brasil, nós estamos trazendo uma lista de canções que não tocamos no restante da turnê, músicas do primeiro álbum (solo), do Virtual XI (do Iron Maiden)... E nós vamos ver como nos sentimos na hora e decidir que caminho seguir, e tocar músicas diferentes. Nós tentamos mudar um pouco a setlist sempre que podemos, testando os fãs.

O POVO – Aqui em Fortaleza, existe um projeto que ensina jovens como produzir vídeos relacionados à cena local. Antes do seu show, quatro desses vídeos serão lançados. Qual a sua opinião sobre essas iniciativas audiovisuais?
Blaze – Bom, nós demoramos um tempo para arrumar tudo, mas agora está tudo indo bem e nós gravamos um DVD, que vai sair este ano, acho que em março. Parece levar um bom tempo para produzir um vídeo e coisas do tipo, mas nós somos uma banda que toca ao vivo e, ao vivo, é preciso tocar com paixão. Isso é algo que tentamos ter em mente.

O POVO – Quando você começou a selecionar os músicos que lhe acompanhariam em sua carreira solo, você declarou que escolheria apenas músicos britânicos, mas, atualmente, está tocando com os colombianos Nico e David Bermudez. O que lhe fez mudar de idéia?
Blaze – Eu decidi que, quando eu voltasse à ativa, eu não iria fazer concessões a músicos, que eu apenas teria os músicos com quem eu quisesse trabalhar, os melhores músicos, não importa de onde viessem.

O POVO – Para encerrar, como alguém que começou no fim dos anos 1980 e tocou com uma das bandas de heavy metal com melhor vendagem de discos nos anos 1990, como você encara as mudanças por que a indústria fonográfica vem passando recentemente?
Blaze – Eu acho que elas são algo bom para muitos artistas, porque nos coloca no controle. Graças à nossa aproximação com os fãs e à popularidade dos computadores, não é muito difícil, para um artista, cuidar de tudo ele mesmo. É bem mais fácil conseguir fazer sua música chegar às pessoas. Concertos ao vivo ainda são populares e as pessoas ainda vêm nos ver. Então, se uma banda é boa ao vivo, ela pode fazer com que as pessoas se interessem pelo seu material e os fãs podem decidir se ela é boa ou não antes que alguém de alguma gravadora o faça. E eu acho que uitos músicos talentosos estão passando despercebidos para as gravadoras.


Rock 'n' roll cinematográfico

Segundo o coordenador pedagógico do projeto Rock.Doc, Marcelo Paes de Carvalho, a idéia era que essas produções servissem como uma “vitrine do que representa a música pesada no Ceará”. Por isso, a cena local teve prioridade no momento da escolha dos temas. Para estrelar os dois clips feitos pela turma, a ACR fez uma seleção entre seus associados, até escolher as bandas A.N.D.E.S. e Facada. Já os dois documentários produzidos tiveram como base a monografia de conclusão de curso do designer gráfico George Frizzo, intitulada A Produção Independente No Rock Cearense: Universo Virtual Como Uma Economia Sustentável, e a dissertação de mestrado da socióloga Abda Medeiros, Cosmologias do Rock em Fortaleza.

Abda, por sinal, se envolveu tanto com o documentário, que entrou para a equipe de produção, acompanhando os alunos na construção do roteiro, nas gravações externas e nas várias entrevistas com figuras importantes do cenário local e nacional, como os membros das bandas cearenses Obskure e Clamus e o jornalista Ricardo Batalha, da publicação especializada em heavy metal e rock clássico Roadie Crew. No total, foram 12 horas de gravações, editadas para caber em cerca de 12 minutos de documentário, mas a socióloga diz que o grupo já está pensando em como utilizará parte do material que ficou de fora: “Esse primeiro documentário é uma amostra do trabalho que a gente pretende fazer, um filme longa-metragem”, antecipa.

Katiushia de Moraes, aluna do projeto, ecoa a empolgação de Abda: “A idéia é que a gente continue acrescentando outras imagens, outras experiências ao documentário”. Ela já freqüentava os shows de rock locais, mas não conhecia muito bem as bandas de heavy metal. Depois de produzir um vídeo sobre a cena, passou a apreciar mais o gênero e acredita que outras pessoas também começarão a compreendê-lo melhor: “O documentário serviu muito pra desfazer um pouco essa questão do preconceito que existe em torno do metal. A gente mostrou as várias fases antes do show, a preparação, a seqüência, os bastidores”, afirma a jovem, que planeja manter o vínculo com a associação e continuar as experimentações no meio audiovisual.

E, segundo Marcelo, espaço para experimentações futuras não vai faltar: “O Rock.Doc deve virar um incubadora de projetos e de idéias”, afirma. Mais dois projetos próprios de alunos da primeira turma já estão engatilhados para este ano: um documentário sobre a Galeria Pedro Jorge, ponto de encontro dos roqueiros da cidade, e outro sobre o heavy metal cearense. Além disso, as inscrições para a segunda turma já começaram e vão até o dia 21 de janeiro.

E-Mais

É possível fazer o download da ficha de inscrição para a segunda turma do Rock.Doc no blog do projeto (http://abcdigitalponto decultura.blogspot.com).

Após preencher a ficha, o candidato deve enviá-la para o e-mail abcdigitalpontodecultura@gmail.com até o dia 21 de janeiro.

As aulas serão ministradas às segundas, quartas e sextas, das 18h30min às 21h30min, e aos sábados, das 14 h às 18horas.

SERVIÇO

Lançamento dos vídeos produzidos pela primeira turma do projeto Rock.Doc, com show de Blaze Bayley e abertura das bandas Facada e A.N.D.E.S. no Clube Recreativo Tiradentes (Rua Tiradentes, 851. Rodolfo Teófilo). Ingressos antecipados: R$ 30, na Planet CDs (Galeria Pedro Jorge, 2º piso) ou na banca Cantinho do Iguatemi (em frente ao Shopping Iguatemi). Outras informações: 3253 3981 e 9402 3362 ou no site www.incartaz.com/rock.doc.

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Die Toten Hosen: cada vez mais estilosos

Uma das bandas mais tradicionais do punk rock alemão, o Die Toten Hosen sabe bem o que é o diálogo com os mais diversos gêneros musicais, fazendo de sua obra uma bagunça de sonoridades e idiomas, o que nem sempre é bem recebido pelos puristas. In aller Stille é uma síntese equilibrada das experimentações que a banda vem realizando desde seu primeiro álbum, Opel-Gang, de 1983.

Em breve, um pouco da trajetória do Die Toten Hosen em nosso podcast.

Nem o punk rock, com sua rude simplicidade, deixa de interagir com outros gêneros musicais, como mostrou o The Clash e suas experimentações com o reggae, já nos anos 1970. E por que deveria? Coitado do músico que é bitolado a ponto de não ver além dos acordes que toca! A trajetória do Die Toten Hosen é uma prova de que às vezes dá certo, às vezes não, mas é preciso arriscar. O álbum recém-lançado In aller Stille deu muito certo e valeu a aposta: cada uma de suas treze faixas demonstra o amadurecimento de uma banda que flerta sem medo com o novo e o inusitado.

O CD começa com Strom, um punk rock bem produzido e enérgico – talvez, por isso, tenha encabeçado também o primeiro single lan
çado para divulgar esse novo trabalho. A música seguinte é Innen alles neu, outro punk rock básico, que, não fossem os avanços óbvios na qualidade de gravação, se encaixaria com facilidade em algum dos álbuns da banda nos anos 1980. Depois dela, vem Disco, com batidas eletrônicas e samples típicos da disco music, que fazem a gente se sentir em uma festa que promete muitas surpresas.

Coincidência ou não, é a partir daí que o álbum realmente parece que vai engrenar, já que, logo a seguir, vem Teil von mir, uma das músicas que mais trazem o clima sombrio e pesado que o Die Toten Hosen vem incorporando às suas composições nos anos 2000, na linha de Ich bin die Sehnsucht in dir, do álbum anterior, Zurück zum Glück (2004). Porém, tudo volta a ficar mais brando com Auflösen, dueto em que o vocalista Campino e a atriz Birgit Minichmayr cantam quase em clima acústico, acompanhados por instrumentos como um piano, um violão e um violoncelo.

O que se segue é um revezamento entre composições mais ágeis e baladas: Leben ist tödlich é outra música talhada nos moldes do Die Toten Hosen mais punk, com um refrão marcante e desafiador (em tradução livre: Olhe pra si mesmo/Você gostaria de ser imortal?/Graças a Deus/que a vida é mortífera!), enquanto Ertrinken, a balada seguinte, soa um pouco comercial e tem nuances que lembram o U2. Alles was war virou uma das minhas músicas favoritas. É um hard rock genuíno na melodia e até na temática: o reencontro de um amor antigo, tratado aqui com melancolia e bom-humor - quem sabe isso não reconquista a moça? Acelerando novamente, vem o rock Pessimist. E aí, é hora de mais uma balada, Wir bleiben stumm, uma das músicas mais sem graça do álbum, com melodia pouco inovadora.

O tédio é compensado por uma surpresa em Die Letzte Sclacht: quem diria que o Die Toten Hosen sentiria a influência do punk rock dos anos 1990? A música é a cara do Green Day, com uma batida mais frenética e um vocal levemente cínico. Repetindo a seqüência de poucas faixas antes, Tauschen gegen dich, a canção seguinte, é quase outra Wir bleiben stumm, só que com uma letra ainda mais melancólica e uma melodia mais interessante. Encerrando o álbum, Angst vem cheia de suspense, narrando as reações corporais ao medo, com uma batida mais pesada e os vocais de Campino em sua forma mais grave.

Em alemão, “in aller Stille” tanto pode ter o sentido literal de “em todos os estilos” como pode ser usado para dizer que algo foi feito “em grande estilo”. Qualquer um dos dois significados se aplica a esse álbum, que mostra o Die Toten Hosen em muito boa forma, passeando por uma gama de sonoridades. Na minha opinião, é um ótimo CD, com músicas que já têm cara de clássicos à primeira audição. Só poderia ter menos baladas. A banda nunca precisou suavizar suas arestas para conquistar novos fãs. Aliás, pra quem gosta do som dos alemães, as arestas são o que eles têm de melhor.

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Mais uma casa



Há alguns dias, o Daniel Sonnora me chamou pra colaborar com o blog dele, a Revista Digital Alternativa, que tem um conteúdo bastante diverso e atualizado. Obviamente, fiquei muito feliz com o convite :) Estamos pensando em um esquema de colaboração que fortaleça tanto o Música Expressa quanto o Alternativa, com podcasts, colunas periódicas e muitas outras novidades. Aqui vai o post de apresentação que escrevi pra lá. Achei uma boa idéia colocar aqui também, pra quem ainda não me conhece.

Você também pode ler o texto direto no Alternativa e, se ainda não acompanha o blog, aproveitar pra começar.


"Olá, meu nome é Débora....

...e faz muitos anos que sou viciada em música ;p

Bom, brincadeiras à parte, estou postando só pra dizer que é uma honra ter sido convidada pelo Daniel pra colaborar com o Alternativa, um dos melhores blogs sobre música que encontrei passeando pela web. Espero poder ajudar o site a crescer cada vez mais e tenho certeza de que vou aprender muito aqui :)

Um pouco sobre mim: tenho 20 anos e moro em Fortaleza (CE), onde estudo Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, na Universidade Federal do Ceará (UFC). Estagiei por cerca de um ano e meio na nossa Rádio Universitária, onde descobri minha paixão por essa mídia tão tradicional porém sempre inovadora, além de ter entrado em contato com muitos dos artistas que movimentam a cena local. Depois, passei por uma assessoria de imprensa e trabalhei com educomunicação na ONG Comunicação & Cultura. Atualmente, estagio no núcleo de cultura do jornal O POVO.


De uma forma ou de outra, a música sempre esteve presente na minha vida. Desde pequena, escutava a Rádio Universitária com meus pais e pegava emprestados os discos deles, descobrindo alguns artistas favoritos que tínhamos em comum. Depois, peguei os primeiros tempos dos peer2peers e lotei meu pc de vírus, mas valeu a pena pra conhecer coisas novas, hehe! Foi assim que se formou meu gosto musical: misturando influências familiares e descobertas feitas com um clique. Hoje, posso dizer que sou um pouquinho chata pra gostar logo de cara do que toca nas rádios comerciais, mas, fora isso, curto de (quase) tudo: música erudita, techno, heavy metal, MPB, jazz, blues, música pop e as várias vertentes do rock.


Demorei um pouquinho pra unir essas duas paixões tão presentes na minha vida: o jornalismo e a música. Foi só depois de três anos na graduação que percebi que essa talvez fosse uma boa idéia. Pra ser mais exata, isso aconteceu quando, junto com minha amiga Lucíola Limaverde, entrevistei o tecladista do Nightwish, Tuomas Holopainen. Foi uma aventura e tanto (quem quiser pode ler a entrevista e nossos relatos no blog do jornal do curso, o Jabá) e a felicidade de ter conseguido falar com o cara me fez ver que seria uma boa continuar a fazer isso profissionalmente. Acabei fazendo outras boas entrevistas depois. Algumas delas podem ser encontradas no Whiplash, site especializado em rock e heavy metal. Outras estão esperando pra ser publicadas no meu blog, o Música Expressa.

Enfim, é isso! Hora de começar a postar :)
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O que é, o que é?

Música Expressa é uma coleção de divagações sobre um dos meus assuntos favoritos: a música. Aqui, é possível encontrar entrevistas, resenhas, reportagens, crônicas e tudo mais que me der na telha.

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Faço Comunicação Social - Jornalismo na Universidade Federal do Ceará. Pesquiso rádio, gosto de escrever sobre música e ando descobrindo algumas novas paixões latentes: o jornalismo científico e a Teologia. Por enquanto, tento manter ao menos um blog ativo, pra não esquecer o potencial que a Internet tem.

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