Die Toten Hosen: cada vez mais estilosos

Uma das bandas mais tradicionais do punk rock alemão, o Die Toten Hosen sabe bem o que é o diálogo com os mais diversos gêneros musicais, fazendo de sua obra uma bagunça de sonoridades e idiomas, o que nem sempre é bem recebido pelos puristas. In aller Stille é uma síntese equilibrada das experimentações que a banda vem realizando desde seu primeiro álbum, Opel-Gang, de 1983.

Em breve, um pouco da trajetória do Die Toten Hosen em nosso podcast.

Nem o punk rock, com sua rude simplicidade, deixa de interagir com outros gêneros musicais, como mostrou o The Clash e suas experimentações com o reggae, já nos anos 1970. E por que deveria? Coitado do músico que é bitolado a ponto de não ver além dos acordes que toca! A trajetória do Die Toten Hosen é uma prova de que às vezes dá certo, às vezes não, mas é preciso arriscar. O álbum recém-lançado In aller Stille deu muito certo e valeu a aposta: cada uma de suas treze faixas demonstra o amadurecimento de uma banda que flerta sem medo com o novo e o inusitado.

O CD começa com Strom, um punk rock bem produzido e enérgico – talvez, por isso, tenha encabeçado também o primeiro single lan
çado para divulgar esse novo trabalho. A música seguinte é Innen alles neu, outro punk rock básico, que, não fossem os avanços óbvios na qualidade de gravação, se encaixaria com facilidade em algum dos álbuns da banda nos anos 1980. Depois dela, vem Disco, com batidas eletrônicas e samples típicos da disco music, que fazem a gente se sentir em uma festa que promete muitas surpresas.

Coincidência ou não, é a partir daí que o álbum realmente parece que vai engrenar, já que, logo a seguir, vem Teil von mir, uma das músicas que mais trazem o clima sombrio e pesado que o Die Toten Hosen vem incorporando às suas composições nos anos 2000, na linha de Ich bin die Sehnsucht in dir, do álbum anterior, Zurück zum Glück (2004). Porém, tudo volta a ficar mais brando com Auflösen, dueto em que o vocalista Campino e a atriz Birgit Minichmayr cantam quase em clima acústico, acompanhados por instrumentos como um piano, um violão e um violoncelo.

O que se segue é um revezamento entre composições mais ágeis e baladas: Leben ist tödlich é outra música talhada nos moldes do Die Toten Hosen mais punk, com um refrão marcante e desafiador (em tradução livre: Olhe pra si mesmo/Você gostaria de ser imortal?/Graças a Deus/que a vida é mortífera!), enquanto Ertrinken, a balada seguinte, soa um pouco comercial e tem nuances que lembram o U2. Alles was war virou uma das minhas músicas favoritas. É um hard rock genuíno na melodia e até na temática: o reencontro de um amor antigo, tratado aqui com melancolia e bom-humor - quem sabe isso não reconquista a moça? Acelerando novamente, vem o rock Pessimist. E aí, é hora de mais uma balada, Wir bleiben stumm, uma das músicas mais sem graça do álbum, com melodia pouco inovadora.

O tédio é compensado por uma surpresa em Die Letzte Sclacht: quem diria que o Die Toten Hosen sentiria a influência do punk rock dos anos 1990? A música é a cara do Green Day, com uma batida mais frenética e um vocal levemente cínico. Repetindo a seqüência de poucas faixas antes, Tauschen gegen dich, a canção seguinte, é quase outra Wir bleiben stumm, só que com uma letra ainda mais melancólica e uma melodia mais interessante. Encerrando o álbum, Angst vem cheia de suspense, narrando as reações corporais ao medo, com uma batida mais pesada e os vocais de Campino em sua forma mais grave.

Em alemão, “in aller Stille” tanto pode ter o sentido literal de “em todos os estilos” como pode ser usado para dizer que algo foi feito “em grande estilo”. Qualquer um dos dois significados se aplica a esse álbum, que mostra o Die Toten Hosen em muito boa forma, passeando por uma gama de sonoridades. Na minha opinião, é um ótimo CD, com músicas que já têm cara de clássicos à primeira audição. Só poderia ter menos baladas. A banda nunca precisou suavizar suas arestas para conquistar novos fãs. Aliás, pra quem gosta do som dos alemães, as arestas são o que eles têm de melhor.

2 comentários:

Grupo 7 | 3 de fevereiro de 2009 14:19

Minha banda preferida. O último álbum é muito bom mesmo.
"Stille" é silêncio, calma, e não estilo (Stil).

HoppeBier | 24 de fevereiro de 2009 13:31

Excelente Banda.
A melhor que já ouvi, juntamente com Die ärzte e Revolverheld.

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