Wayfarer, heartlander: as andanças de Tuomas Holopainen

O Tuomas Holopainen, tecladista do Nightwish, concedeu esta entrevista a mim e à jornalista Lucíola Limaverde quando a banda esteve em Fortaleza. Sem exageros, foi uma das vivências mais enriquecedoras que tive, tanto pela conexão que toda entrevista com certa profundidade proporciona quanto pelos instantes que a antecederam. Depois dela, decidi que queria me dedicar à cobertura jornalística da música e, principalmente, do heavy metal.

O material saiu no Jornal Jabá, publicação estudantil do curso, e no Whiplash.
Para saber um pouco mais sobre os bastidores da entrevista, recomendo ler o meu relato e o da Lucíola.

Vocês fazem turnês desde o primeiro CD
[Angels Fall First, lançado em 1997]. De que forma as turnês evoluíram, daquela época até agora?
As turnês se tornaram profissionais demais, por assim dizer, porque nosso sucesso cresceu e nós passamos por mais lugares, tocamos em lugares maiores. Então, por exemplo, no começo, nós tocávamos em bares pequenos, lugares desse tipo, havia um sentimento intimista. E sabe, nós mesmos montávamos o nosso equipamento. Agora, durante os últimos anos, nós temos muitos técnicos cuidando de todo mundo, eu não sei mais nem montar o meu teclado. Então, a turnê se tornou bem maior, por assim dizer, e também mais profissional.

Isso é bom, ruim...? Você sente falta dessa época?
Eu sinto, na verdade, porque naquela época tudo era novidade, sabe, vir pela primeira vez para o Brasil... Eu ainda acho que aquela ("Wishmaster World Tour", em 2000) talvez tenha sido a turnê mais memorável que nós tivemos e nós estivemos aqui quatro vezes depois disso, já sabemos meio o que esperar. O choque positivo inicial se foi. Então, eu sinto um pouco de saudades daqueles dias, sim.

Sobre este álbum, você disse que ele contém a música mais pesada da história do Nightwish, Master Passion Greed. E no próximo, haverá outras músicas bem pesadas também?
Eu não tenho idéia, na verdade (risos).

Você tem cerca de quantas músicas prontas? Umas quatro...
Cerca de duas.

As letras e as melodias?
As melodias e as idéias, mas é realmente impossível dizer como o próximo álbum vai soar. Eu tenho muitas idéias, mas ainda resta vê-las.


Você tem idéia de quando o próximo álbum deve sair?
Não antes de 2010, isso é certo.


Em que momento você escreve melhor suas músicas? Como você compõe?
Não preciso de um momento ou lugar específicos, na verdade, pode acontecer em qualquer lugar. Mas, em alguns aspectos, seria pela manhã, esse deve ser o melhor momento para eu compôr: de manhã cedo, quando eu acordo. No inverno é sempre melhor que no verão e em casa é sempre melhor que em qualquer outro lugar, como, por exemplo, nas turnês.

Seu lar, seu país, seria o melhor lugar para compôr?
Sim, eu realmente acho que sim, porque cada uma das músicas do Nightwish que eu escrevi foi composta mais ou menos em casa.


Você se inspira muito na Finlândia?
Sim. Na neve, na natureza, no povo, em tudo. É o meu lar, o lar é muito inspirador para todos nós.


E qual a diferença entre o público finlandês e o do resto do mundo?
Não tem muita diferença, na verdade, porque quando se trata dos fãs desse tipo de música, eles são bem parecidos no mundo todo, de certo modo. Vocês apenas mostram isso melhor. Na Finlândia, não tem gente assim, vindo te ver no hotel
[refere-se aos fãs que aguardavam a banda na calçada do hotel]. Eles ainda gostam de você, só que são mais reservados. E isso tem a ver com a mentalidade do povo: nós somos um pouco mais calmos, introspectivos, sem mostrar nossas emoções.

Quais são seus planos para quando a turnê acabar?

Vamos tirar uns dois meses de férias, quando iremos a algum lugar totalmente afastado. E, depois disso, começar a escrever as músicas e, talvez, por volta do começo de 2010, vamos para os ensaios e depois entramos no estúdio e começamos a trabalhar no próximo álbum. A idéia é essa, mas a vida é muito estranha, você nunca sabe o que vai acontecer, pra onde você vai... O mais seguro é não pensar demais nisso, só fazer alguns planos e ver o que acontece.




ALGUMAS HORAS depois da entrevista, assistimos a uma ótima apresentação
da banda, que resenhei para o Whiplash.

1 comentários:

Luiza Vitória | 28 de abril de 2009 19:57

Caraca! que inveja, entrevistar o tuomas...
a entrevista está ótima e as perguntas também..

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