Diálogo musical marca a edição fortalezense do Grito Rock 2009

Uma das melhores opções para quem percorria as ruas enlameadas (resquícios de algum pré-carnaval?) do entorno do Dragão do Mar na noite do último sábado, 7 de fevereiro, o festival integrado Grito Rock já repercutia no HeyHo Rock Bar desde as 21h. Com a produção do Panela Discos, Fortaleza foi uma das cerca de 47 cidades brasileiras a sediar as apresentações de bandas independentes antes, durante e depois do período carnavalesco.

Resenha postada no site CearáinRock.

A noite começou com o experimentalismo de George Belasco & o Cão Andaluz. Apenas George Belasco, na guitarra, e Lucas Jereissati, no baixo, subiram ao palco, sem o acompanhamento habitual do baterista Leo Mamede. A simplicidade da formação pode ter enganado quem via a banda pela primeira vez e não conhecia os sons intrincados de que ela é capaz, com o auxílio de um notebook, controlado por George, que, além da guitarra, também assume os vocais.

Após um intervalo de quase uma hora, foi a vez do pernambucano Zeca Viana se apresentar, acompanhado do guitarrista Zé Mario. Zeca, baterista da Volver, banda que estourou no cenário indie do Recife, priorizou as experimentações vocais em seu trabalho solo, Zeca Viana & Onomatopéia Bum!, que, na formação original, ainda conta com as vozes de Sofia e Maíra. Talvez a ausência dos vocais femininos na noite de ontem tenha motivado a decisão de Zeca por focar em uma abordagem diferente nas letras, com acompanhamento de uma guitarra e um violão.

Os acordes vibrantes da banda instrumental O Garfo começaram a ressoar às 23h. O trio, composto pelo baixista Felipe Gurgel, pelo guitarrista Vitor Colares e pelo baterista João Victor, fez uma mistura de sonoridades impressionante, preenchendo o ambiente do HeyHo com melodias criativas e declaradamente rock ‘n’ roll – difícil apenas definir a que vertente do rock exatamente elas pertenciam, mas quem se importa, quando a música era tão boa e adaptava-se perfeitamente às várias intenções do público, fossem elas jogar sinuca, assistir à performance da banda, conversar ou simplesmente entornar mais uma cerveja.

O rock “direto ao ponto” da banda Joseph K? veio em seguida, à meia-noite em ponto. Talles Lucena, Rildney Cavalcante e Johnny Wesley sacudiram a audiência, com hits como Calourada e De Cabeça para Baixo, e ainda aproveitaram para mostrar uma nova música, Fuja de Mim, que, além da letra e do som incisivos, ainda traz pitadas de humor. Foi feito um registro em vídeo dessa última música, o que talvez signifique que, em breve, os internautas poderão conferi-la no MySpace da banda.

À medida que a noite avançava, aumentava o peso das bandas que se apresentavam. O death metal da Hostile Inc. atraiu para o interior do HeyHo muitos dos que escutavam o som na calçada, comprovando a força do gênero em Fortaleza, que conta com inúmeros fãs fiéis. Mac Coelho, Yuri Leite, Júnior Maia, Adriano Abreu, Saulo Oliveira e Nathaniel Souza apresentaram uma performance sombria e calcada em melodias trabalhadas no teclado. A importância desse instrumento no som que a banda faz é tal que é até difícil imaginar como eles soavam em 1996, quando surgiram no cenário fortalezense como uma banda de thrash metal.

Por fim, demonstrando toda a experiência adquirida ao longo de 10 anos de carreira, a banda Clamus encerrou esta edição do Grito Rock em Fortaleza. O repertório death metal recebeu um feedback entusiasmado do público. A apresentação contou com várias composições consolidadas na preferência dos que já conheciam a banda de longa data, o que não significa que Joaquim Cardoso, Lucas Gurgel, Felipe Ferreira e Clerton Holanda também não tenham aproveitado para mostrar músicas de seu mais recente trabalho, o álbum La Frontière.

Assim, o Grito Rock passou por Fortaleza, em seu trajeto de intercâmbios musicais e fomento da cena independente, deixando muitos fãs de música satisfeitos com o que viram e ouviram. É esperar que essa multiplicidade de ritmos continue firme e forte na cidade.

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